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O novo
jornalismo no ensino secundário
Ruth Navas
Esc. Sec.
Emídio Navarro,
Almada
Cada
vez mais as diferentes disciplinas do ensino secundário
recorrem aos textos dos media para exemplificar, interpretar
ou comentar assuntos que dizem respeito aos conteúdos
programáticos. A leitura do artigo de jornal e a pesquisa na
Internet referente aos acontecimentos
tecnológicos/científicos ou aos desastres ecológicos,
permitem criar aulas mais dinâmicas para os professores de
Biologia e de Físico-Química. Os próprios exames nacionais
das disciplinas científicas apresentam enunciados da
comunicação social, obrigando o aluno a saber comparar os
dados estatísticos e a explorar a objectividade dos artigos.
Também os DVD's dos filmes comerciais mais
recentes, marcados pelo novo “novo jornalismo”, abrem um
mundo de possibilidades para as disciplinas da formação
geral, como é o caso da Filosofia, do Português e do Inglês.
Hoje, qualquer uma destas disciplinas recorre às diversas
fontes para aprofundar os valores culturais, políticos e
éticos associados à formação do indivíduo e do cidadão.
Pelas razões mais diversas, assistimos a uma clara
preocupação educativa em promover actividades próximas da
realidade transmitida pelos meios da comunicação social. Por
isso é possível dizer que o recurso aos textos dos media
exige uma selecção criteriosa de textos com vista ao
desenvolvimento da competência argumentativa do aluno face à
actualidade. E, por isso há que ter a consciência das
tarefas didácticas e pedagógicas que podem facilitar e
ajudar, em muito, a nossa prática lectiva. Destaco duas das
mais interessantes e porventura determinantes para o sucesso
educativo. A primeira diz respeito à catalogação de temas
jornalísticos (on-line) em conformidade com as áreas
de interesse disciplinar. A partir desta catalogação será
possível, a todo o momento, prever estratégias de leitura
comparativas entre datas de publicação, artigos do mesmo
tema e pontos de vista. A segunda medida exige uma selecção
constante de textos críticos e opinativos, compilados em
volume e publicados por autores e jornalistas que
persistentemente abordam as temáticas da actualidade, quer
numa perspectiva mais argumentativa, quer numa perspectiva
mais ficcional.
Entre as obras recentes podemos evidenciar: (2003)
Diário do Iraque (texto acompanhado de fotografias
publicadas no diário El País - de Mário Vargas Llosa);
(2004) Hotel Babilónia, (crónicas jornalísticas de
Cáceres Monteiro); (2004) Crónicas no Fio do Horizonte
(de Eduardo do Prado Coelho); (2006) Grande Reportagem
(textos de diferentes jornalistas -coordenação de José
Manuel Barata-Feyo); (2005) A Tragédia Televisiva
(ensaio crítico de Eduardo Cintra Torres). Também importa
realçar as compilações de crónicas literárias, centradas na
vida quotidiana, como por exemplo: (1995) Um Momento de
Ternura e Nada Mais de Afonso Praça, (1998)
Fronteiras Perdidas de José Agualusa (2001) Lisboa
Contada pelos Dedos de Baptista Bastos; (2003) Fora
de Mão – prosas revisitadas e inéditas – de Mário
Zambujal. A este nível, podemos dizer que despontam na
literatura portuguesa um número considerável de compilações
e que estão à espera de reedição e de uma catalogação
pedagógica.
É certo que os manuais escolares apresentam textos.
Contudo, rapidamente verificamos que a intenção de
desenvolver a competência argumentativa exige uma estratégia
centrada na relação do leitor com textos bem articulados.
Quem folhear, por exemplo, um manual de Português de 10ºAno
publicado em 2003, verificará que os “textos dos media”
mais interessantes e próximos dos leitores de 2007, são
aqueles que resistem ao efeito do tempo, ou porque abordam
criticamente temas recorrentes (ambiente, novas tecnologias,
saúde, experiências científicas) ou porque apresentam as
crónicas de um autor. Em contrapartida se lermos, no mesmo
manual, uma cópia de uma notícia, esta reduz-se a um
faits divers sem interesse para o leitor. Por outras
palavras, não é possível desenvolver competências de leitura
crítica dos textos dos media, sem estimular a crítica, e
para isso há que prever uma selecção de conteúdos
específicos. Na realidade a concepção dos manuais escolares
não permite propor um trabalho continuado, pois o que
prevalece são textos a exemplificar tipologias diferentes,
dispersos e sem articulação temática ou argumentativa.
Assim, há que insistir nas metodologias de leitura dinâmica,
com recurso à catalogação jornalística activada pela
Internet e às obras do novo jornalismo, pois sem eles
dificilmente se desenvolvem as novas competências tão
necessárias à formação dos alunos, cidadãos críticos e
responsáveis.
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