Resumo/Abstract
O ensino das ciências
no nosso país tem sido desequilibrado no que diz respeito à
relação que deve haver entre teoria e prática, e aí reside
uma das razões para o insucesso desse ensino e para o
repúdio, por parte de muitos estudantes, do conhecimento
científico, tal como lhes é ensinado.
Há razões de diversa ordem para fundamentar a
importância da actividade prática na educação científica,
algumas das quais aqui serão referidas, mas, se é
fundamental investirmos muito mais na componente prática do
ensino, também é muito importante questionarmo-nos sobre o
modo com deverão ser conduzidas as actividades práticas.
Que estratégias? Em que ambientes de aprendizagem
deverão decorrer? Como devem ser conduzidas para contribuir
para uma indiscutível melhoria da aprendizagem da ciência? A
que metodologias e instrumentos deverão recorrer?
Encontrar respostas para as questões anteriores é
muito importante, pois tem havido muita investigação em
diversos países que tem revelado que os resultados do ensino
prático e em particular das actividades experimentais estão
muito aquém das expectativas. Assim, por exemplo, Frade
(2000, p. 37) cita vários pesquisadores (Coulter, 1966,
Siegal & Raven, 1971, Hofstein & Lunetta, 1982, Araújo,
1985, Glasson, 1989) que têm mostrado que, no que respeita a
conhecimento conceptual, compreensão e aplicação dos
processos da ciência e aquisição de atitudes positivas face
à ciência, não têm sido reveladas melhorias significativas
relativamente ao ensino não experimental.
Neste artigo pretende-se fundamentar a importância de
um ensino com uma boa relação teoria-prática e apresentar
algumas ideias que pretendem responder às questões atrás
formuladas.

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