Revista Bimensal 
Edição 13 - Janeiro 06
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O Ensino Experimental das Ciências:
 do conceito à prática
 

  Jorge Valadares
Universidade Aberta, Lisboa
jvalad@univ-ab.pt


 


Resumo/Abstract

O ensino das ciências no nosso país tem sido desequilibrado no que diz respeito à relação que deve haver entre teoria e prática, e aí reside uma das razões para o insucesso desse ensino e para o repúdio, por parte de muitos estudantes, do conhecimento científico, tal como lhes é ensinado.

Há razões de diversa ordem para fundamentar a importância da actividade prática na educação científica, algumas das quais aqui serão referidas, mas, se é fundamental investirmos muito mais na componente prática do ensino, também é muito importante questionarmo-nos sobre o modo com deverão ser conduzidas as actividades práticas.

Que estratégias? Em que ambientes de aprendizagem deverão decorrer? Como devem ser conduzidas para contribuir para uma indiscutível melhoria da aprendizagem da ciência? A que metodologias e instrumentos deverão recorrer?

Encontrar respostas para as questões anteriores é muito importante, pois tem havido muita investigação em diversos países que tem revelado que os resultados do ensino prático e em particular das actividades experimentais estão muito aquém das expectativas. Assim, por exemplo, Frade (2000, p. 37) cita vários pesquisadores (Coulter, 1966, Siegal & Raven, 1971, Hofstein & Lunetta, 1982, Araújo, 1985, Glasson, 1989) que têm mostrado que, no que respeita a conhecimento conceptual, compreensão e aplicação dos processos da ciência e aquisição de atitudes positivas face à ciência, não têm sido reveladas melhorias significativas relativamente ao ensino não experimental.

Neste artigo pretende-se fundamentar a importância de um ensino com uma boa relação teoria-prática e apresentar algumas ideias que pretendem responder às questões atrás formuladas.