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O ‘Eduquês’ em Discurso Directo: Uma Crítica da Pedagogia
Romântica Construtivista
(Extractos de um livro com este título, a sair em Fevereiro,
da autoria de Nuno Crato e publicado pela Gradiva)
Nuno
Crato
Professor,
Instituto Superior de Economia e Gestão, Lisboa
Presidente da Sociedade
Portuguesa de Matemática
Cronista do Expresso
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Resumo/Abstract
Não é possível perceber o que se passa na Educação em
Portugal sem conhecer um debate de ideias — umas vezes
surdo, outras agressivo — que divide a opinião pública, cria
desconforto entre profissionais de educação e pauta tomadas
de posição de políticos e decisores.
De um lado, surgem pessoas, ideias e atitudes que têm
tido um papel dominante na política educativa. Ideias que
habitualmente se identificam, nem sempre de forma correcta,
com a «escola moderna», com o «ensino progressista» ou com o
«ensino centrado no aluno». Ideias que se estendem por
várias áreas políticas, que tiveram uma influência crescente
no Ministério da Educação ao longo dos anos 80 e 90, que
portanto vingaram sob a acção de governantes de partidos tão
diversos como o CDS/PP, o PPD/PSD e o PS. Ideias que têm
simpatias em todos esses partidos e noutros.
Do outro lado surge uma opinião pública difusa, que
se manifesta descontente com o estado actual da educação e
que tem a noção intuitiva de terem sido os teóricos da
pedagogia dita moderna que conduziram à situação presente.
Nessas opiniões críticas incluem-se vozes ingénuas ou menos
sofisticadas, como as que acusam as Ciências da Educação no
seu todo, sem perceberem que a pedagogia é necessária, que a
reflexão pedagógica é importante e que a investigação
pedagógica é imprescindível para ultrapassar os problemas do
ensino. Nas opiniões críticas incluem-se também professores
e intelectuais que discordam dos exageros da ideologia
pedagógica dominante. Umas vezes, essa discordância incide
sobre aspectos relativamente secundários, como a linguagem
hermética seguida por muitos teóricos da pedagogia. Estes
são então acusados de falarem «eduquês» — um nome castiço e
feliz que o então ministro Marçal Grilo usou para
classificar essa fala esotérica. Outras vezes, a
discordância é mais profunda e tem raízes na detecção, mesmo
que intuitiva, de ideias pós-modernas, construtivistas e
românticas que têm influenciado a educação.

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