Revista Bimensal 
Edição 13 - Janeiro 06
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Para a História da Divulgação Científica em Portugal
As ciências nos periódicos portugueses de finais do
séc. XVIII e princípios do séc. XIX

 

 

Fernando Reis
Professor de História, Esc. Sec. Cacilhas-Tejo, Almada
Doutorando em História
 e Filosofia das Ciências na FCT-UNL

Membro do Centro de História e Filosofia da Ciência

e da Tecnologia da FCT-UNL, Monte de Caparica


 

 


Resumo/Abstract

Este texto pretende fazer uma abordagem do lugar das ciências nalguns periódicos portugueses dos finais do século XVIII e princípios do século XIX. Num período em que os periódicos científicos especializados eram ainda raros, as ciências surgiam normalmente em jornais enciclopédicos, que pretendiam abranger todas as áreas consideradas indispensáveis à formação dos cidadãos.

Em Portugal foram publicados vários títulos, normalmente com uma vida efémera, que tentavam transmitir aos portugueses os avanços científicos e tecnológicos efectuados noutros países. Para além desta preocupação, abriam as suas páginas à participação de leitores portugueses que tivessem informações importantes a comunicar.

A transmissão de conhecimentos científicos e tecnológicos estava associada à noção de utilidade. O utilitarismo manifestava-se de diversas formas, mas era evidente uma ligação muito forte entre a economia e a história natural, a física e a química, numa tentativa muitas vezes reforçada de contribuir para o desenvolvimento económico do país. Neste sentido, os objectivos destes periódicos identificavam-se com os que levaram à fundação da Academia das Ciências de Lisboa em 1779, tentando fazer com que os novos conhecimentos científicos e tecnológicos tivessem um impacto visível na economia portuguesa.

Num país cujo mercado editorial é restrito, as iniciativas aqui apresentadas revelam um grande voluntarismo dos seus dinamizadores, mas fundamentalmente uma preocupação com a actualização dos conhecimentos científicos, permitindo o acompanhamento dos progressos que iam sendo feitos nos países do centro da Europa.

Nalguns casos, a divulgação dos conhecimentos científicos fazia parte de um projecto de transformação do sistema político do país. De uma forma conservadora ou mais assumidamente liberal, as ciências integravam um projecto de transformação e de desenvolvimento do país.