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Resumo/Abstract
Este texto pretende
fazer uma abordagem do lugar das ciências nalguns periódicos
portugueses dos finais do século XVIII e princípios do
século XIX. Num período em que os periódicos científicos
especializados eram ainda raros, as ciências surgiam
normalmente em jornais enciclopédicos, que pretendiam
abranger todas as áreas consideradas indispensáveis à
formação dos cidadãos.
Em Portugal foram publicados vários títulos,
normalmente com uma vida efémera, que tentavam transmitir
aos portugueses os avanços científicos e tecnológicos
efectuados noutros países. Para além desta preocupação,
abriam as suas páginas à participação de leitores
portugueses que tivessem informações importantes a
comunicar.
A transmissão de conhecimentos científicos e
tecnológicos estava associada à noção de utilidade. O
utilitarismo manifestava-se de diversas formas, mas era
evidente uma ligação muito forte entre a economia e a
história natural, a física e a química, numa tentativa
muitas vezes reforçada de contribuir para o desenvolvimento
económico do país. Neste sentido, os objectivos destes
periódicos identificavam-se com os que levaram à fundação da
Academia das Ciências de Lisboa em 1779, tentando fazer com
que os novos conhecimentos científicos e tecnológicos
tivessem um impacto visível na economia portuguesa.
Num país cujo mercado editorial é restrito, as
iniciativas aqui apresentadas revelam um grande voluntarismo
dos seus dinamizadores, mas fundamentalmente uma preocupação
com a actualização dos conhecimentos científicos, permitindo
o acompanhamento dos progressos que iam sendo feitos nos
países do centro da Europa.
Nalguns casos, a divulgação dos conhecimentos
científicos fazia parte de um projecto de transformação do
sistema político do país. De uma forma conservadora ou mais
assumidamente liberal, as ciências integravam um projecto de
transformação e de desenvolvimento do país. 
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