Revista Bimensal 
Edição 21 - Novembro 07
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PORTUGUÊS LÍNGUA NÃO MATERNA
Relato de uma experiência
 

Sílvia Faim
EB 2,3 Monte de Caparica
Almada


Introdução:

Antes de mais, quero agradecer à Proformar o convite para poder partilhar a minha humilde experiência enquanto professora de alunos dos 2º e 3º ciclos de uma escola do concelho de Almada e que têm o Português como Língua Não Materna (PLNM).

Em Portugal, ao longo dos anos, tem vindo a crescer e a disseminar-se o número de jovens provenientes dos mais variados lugares do mundo, que quando chegam às nossas escolas se debatem com dificuldades de domínio da língua portuguesa e de integração num novo sistema de ensino e num currículo diferente.
Deste modo, os alunos recém-chegados revelam necessidades de vária ordem: linguísticas, curriculares e de integração.

Não sendo o único problema que têm de enfrentar na escola, o desconhecimento da língua portuguesa é um dos obstáculos à integração dos alunos e ao acesso ao currículo, pois o Português não só é uma das principais disciplinas do currículo, como também é a língua de ensino, o meio através do qual todos os conhecimentos são transmitidos. Ora, dominar deficientemente a língua, ou não a dominar por completo, afectará, com toda a certeza, o conjunto das aprendizagens, bem como todo o processo de integração.
Para um número muito significativo dos alunos que frequentam as nossas escolas o português não é a língua materna.

Relato de uma experiência:

Mas passemos, então, a falar da minha experiência e da dos meus colegas que tanto me ajudaram, porque este trabalho não pôde ser feito individualmente, pois só deu alguns frutos porque houve partilha e troca de experiências.

A primeira dificuldade com que nos deparámos, para além de não termos formação em Português Língua Não Materna, foi a de clarificar as noções de língua materna e língua não materna. Para isso debruçámo-nos muito atentamente sobre os documentos orientadores do Ministério da Educação.

De seguida, outra questão se nos colocou:
- Como identificar os alunos do Português Língua Não Materna?

Mais uma vez recorremos às orientações da tutela e verificámos que existem quatro grupos de alunos, tendo sido usado como critério a origem da língua dos pais.

Depois de identificados os grupos de alunos, passámos à explicitação da metodologia de ensino a adoptar para estes grupos de alunos, seguindo, igualmente, as orientações ministeriais.
Deste modo, verificámos que as metodologias a seguir seriam diferentes para cada grupo de alunos, uma vez que nem todos pertenciam ao mesmo grupo.

Esclarecidas algumas das dúvidas e definidas as orientações de actuação, passámos, então, ao trabalho.

Primeiro, fizemos o levantamento dos alunos que tinham o Português como Língua Não materna, através do preenchimento de uma ficha sociolinguística, em Formação Cívica ou com o Professor de Língua Portuguesa.
De seguida, aplicámos os testes de diagnóstico (Teste A1, Grelha A1Teste B1, Grelha B1) elaborados pelos professores do Departamento de Língua Portuguesa (os testes disponibilizados pelo ministério não contemplavam todas as competências a observar), para identificarmos o nível de proficiência do Português em que se encontravam os alunos. (Ver Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas). Os referidos testes avaliavam as diferentes competências dos alunos ao nível da compreensão oral e escrita; leitura; produção oral; interacção oral e produção escrita.
Devido à grande quantidade de alunos existente na escola e à especificidade dos testes, estes foram aplicados pelos professores que se encontravam na sala de estudo e que, à medida que os alunos iam fazendo o teste, iam preenchendo grelhas de observação que, posteriormente, eram entregues ao professor de Língua Portuguesa para verificar o nível de proficiência dos alunos.

Depois de feita a identificação dos alunos e a sua distribuição pelos diferentes níveis: Iniciação (A1, A2) e Intermédio (B1), começámos, então, o trabalho, que foi desenvolvido nas aulas de Estudo Acompanhado, ou fora da sala de aula consoante as dificuldades dos alunos e o nível em que se encontravam.
Estas aulas foram dadas por professores de Língua Portuguesa e, em alguns casos, por outros professores, mas segundo as orientações do professor curricular de Português.

No presente ano lectivo, todos os alunos têm aulas de PLNM com um professor de Português, na hora de Estudo Acompanhado, dentro ou fora da sala de aula, e, nos casos em que os alunos revelam mais dificuldades, ainda há horas de reforço fora da sala de aula.

Quanto aos recursos utilizados, seguimos as propostas de actividades disponíveis nos CD-ROMs do Projecto Diversidade Linguística na Escola Portuguesa, do Instituto de Linguística Teórica e Computacional (ILTEC), os manuais da Texto Editores Intitulados Aprender Português – Curso Inicial de língua Portuguesa Para estrangeiros – Níveis A1 e A2, material existente no Centro de Recursos da Escola e outros materiais de apoio existentes no mercado.

Para finalizar, a avaliação das aprendizagens destes alunos regeu-se por critérios de grande flexibilidade e teve em consideração o seu ponto de partida.
Seguimos, igualmente, as orientações do Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas (QECR), aplicámos testes intermédios para observarmos a progressão dos alunos e para facilitar a auto-avaliação foram preenchidas as fichas constantes no Portfolio Europeu de Línguas. Deste modo, os alunos iam tomando consciência das suas aprendizagens e do caminho que ainda havia a percorrer.
Todos os trabalhos elaborados pelos alunos foram arquivados no dossier do Portfólio Europeu de Línguas, adaptado pelos professores.

Reconheço que ainda há muito a fazer, mas fazem parte do nosso crescimento profissional a troca de experiências e a busca constante.