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PORTUGUÊS
LÍNGUA NÃO MATERNA
Relato de uma experiência
Sílvia Faim
EB 2,3 Monte de Caparica
Almada
Introdução:
Antes
de mais, quero agradecer à Proformar o convite para poder
partilhar a minha humilde experiência enquanto professora de
alunos dos 2º e 3º ciclos de uma escola do concelho de
Almada e que têm o Português como Língua Não Materna (PLNM).
Em Portugal, ao longo dos anos, tem vindo a crescer e
a disseminar-se o número de jovens provenientes dos mais
variados lugares do mundo, que quando chegam às nossas
escolas se debatem com dificuldades de domínio da língua
portuguesa e de integração num novo sistema de ensino e num
currículo diferente.
Deste modo, os alunos recém-chegados revelam necessidades de
vária ordem:
linguísticas, curriculares e de integração.
Não sendo o único problema que têm de enfrentar na
escola, o desconhecimento da língua portuguesa é um dos
obstáculos à integração dos alunos e ao acesso ao currículo,
pois o Português não só é uma das principais disciplinas do
currículo, como também é a língua de ensino, o meio através
do qual todos os conhecimentos são transmitidos. Ora,
dominar deficientemente a língua, ou não a dominar por
completo, afectará, com toda a certeza, o conjunto das
aprendizagens, bem como todo o processo de integração.
Para um número muito significativo dos alunos que frequentam
as nossas escolas o português não é a língua materna.
Relato de uma experiência:
Mas passemos, então, a falar da minha experiência e
da dos meus colegas que tanto me ajudaram, porque este
trabalho não pôde ser feito individualmente, pois só deu
alguns frutos porque houve partilha e troca de experiências.
A primeira dificuldade com que nos deparámos, para
além de não termos formação em Português Língua Não Materna,
foi a de clarificar as noções de
língua materna e língua
não materna. Para isso debruçámo-nos muito atentamente
sobre os documentos orientadores do Ministério da Educação.
De seguida, outra questão se nos colocou:
- Como identificar os alunos do Português Língua Não
Materna?
Mais uma vez recorremos às orientações da tutela e
verificámos que existem
quatro grupos de alunos, tendo sido usado como critério
a origem da língua dos pais.
Depois de identificados os grupos de alunos, passámos
à explicitação da metodologia de ensino a adoptar para estes
grupos de alunos, seguindo, igualmente, as orientações
ministeriais.
Deste modo, verificámos que as metodologias a seguir seriam
diferentes para cada grupo de alunos, uma vez que nem todos
pertenciam ao mesmo grupo.
Esclarecidas algumas das dúvidas e definidas as
orientações de actuação, passámos, então, ao trabalho.
Primeiro, fizemos o levantamento dos alunos que
tinham o Português como Língua Não materna, através do
preenchimento de uma
ficha
sociolinguística, em Formação Cívica ou com o Professor
de Língua Portuguesa.
De seguida, aplicámos os testes de diagnóstico (Teste
A1,
Grelha A1,
Teste B1,
Grelha
B1) elaborados pelos professores do Departamento de
Língua Portuguesa (os testes disponibilizados pelo
ministério não contemplavam todas as competências a
observar), para identificarmos o nível de proficiência do
Português em que se encontravam os alunos. (Ver Quadro
Europeu Comum de Referência para as Línguas). Os referidos
testes avaliavam as diferentes competências dos alunos ao
nível da compreensão oral e escrita; leitura; produção oral;
interacção oral e produção escrita.
Devido à grande quantidade de alunos existente na escola e à
especificidade dos testes, estes foram aplicados pelos
professores que se encontravam na sala de estudo e que, à
medida que os alunos iam fazendo o teste, iam preenchendo
grelhas de observação que, posteriormente, eram entregues ao
professor de Língua Portuguesa para verificar o nível de
proficiência dos alunos.
Depois de feita a identificação dos alunos e a sua
distribuição pelos diferentes níveis: Iniciação (A1, A2) e
Intermédio (B1), começámos, então, o trabalho, que foi
desenvolvido nas aulas de Estudo Acompanhado, ou fora da
sala de aula consoante as dificuldades dos alunos e o nível
em que se encontravam.
Estas aulas foram dadas por professores de Língua Portuguesa
e, em alguns casos, por outros professores, mas segundo as
orientações do professor curricular de Português.
No presente ano lectivo, todos os alunos têm aulas de
PLNM com um professor de Português, na hora de Estudo
Acompanhado, dentro ou fora da sala de aula, e, nos casos em
que os alunos revelam mais dificuldades, ainda há horas de
reforço fora da sala de aula.
Quanto aos recursos utilizados, seguimos as propostas
de actividades disponíveis nos CD-ROMs do Projecto
Diversidade Linguística na Escola Portuguesa, do
Instituto de Linguística Teórica e Computacional (ILTEC), os
manuais da Texto Editores Intitulados Aprender
Português – Curso Inicial de língua Portuguesa Para
estrangeiros – Níveis A1 e A2, material existente no
Centro de Recursos da Escola e outros materiais de apoio
existentes no mercado.
Para finalizar, a avaliação das aprendizagens destes
alunos regeu-se por critérios de grande flexibilidade e teve
em consideração o seu ponto de partida.
Seguimos, igualmente, as orientações do Quadro Europeu Comum
de Referência para as Línguas (QECR), aplicámos testes
intermédios para observarmos a progressão dos alunos e para
facilitar a auto-avaliação foram preenchidas as fichas
constantes no Portfolio Europeu de Línguas. Deste modo, os
alunos iam tomando consciência das suas aprendizagens e do
caminho que ainda havia a percorrer.
Todos os trabalhos elaborados pelos alunos foram arquivados
no dossier do Portfólio Europeu de Línguas, adaptado pelos
professores.
Reconheço que ainda há muito a fazer, mas fazem parte
do nosso crescimento profissional a troca de experiências e
a busca constante.
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