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O
OPTIMISMO
Formadoras do
Centro Proformar
Introdução
Todos os dias somos confrontados com notícias
deprimentes e "bombásticas" com que a comunicação social
invade as nossas casas, influenciando as nossas vidas. Como
afirma Helena Marujo "O bom não faz história nem cativa
audiências" (in: Educar para o Optimismo).
Estudos recentes (e recorrentes) elegeram-nos como um
dos países mais deprimidos da União Europeia. Sabendo que este
estado de espírito influencia negativamente a qualidade de
vida é urgente mudar a nossa atitude pessimista e passarmos a
valorizar uma perspectiva optimista desde a primeira infância.
Enquanto educadores, conscientes do impacto da nossa
profissão na formação das gerações futuras, temos o dever lhes
incutir uma visão optimista da vida que assente na consciência
de que "mais importante do que aquilo que nos acontece é a
forma como lidamos com isso".
O Optimismo é uma "filosofia de vida", pois influência
a forma como avaliamos os acontecimentos. Assim um optimista
vê os fracassos e dificuldades como oportunidades para
aprender mais, para desenvolver capacidades, para melhorar a
sua qualidade de vida. O optimista não vê barreiras mas sim
desafios, sabe que existirá sempre uma saída, uma solução,
"acredita no melhor, espera sempre o melhor e trabalha para o
melhor".
“Se não estivermos bem, se não praticarmos uma visão
positiva da vida como poderemos transmitir bem-estar e
optimismo aos que nos rodeiam, como podemos passar uma
mensagem positiva da vida, levando as crianças a acreditar que
é bom crescer?” Helena Marujo in: Educar para o Optimismo.
Inspirar uma atitude positiva e optimista é um dos
maiores desafios dos professores e educadores. Ajudar a
facilitar um crescimento confiante não é tarefa fácil quando
os próprios educadores vivem em desencanto.
O optimismo
na formação de professores
O presente artigo pretende partilhar a experiência
vivida no Curso de Formação “Educador: um Modelo de
Optimismo”, organizado pelo PROFORMAR e destinado a
Educadores de Infância e Professores do 1ª ciclo do Ensino
Básico que se realizou entre Março e de Junho de 2004 na
Escola Secundária do Monte da Caparica.
Dada a ausência quase total de formação contínua
direccionada a educadores de infância, e mais especificamente
na área da formação pessoal-social, procurou-se criar um
espaço formativo onde fosse possível reflectir sobre
estratégias facilitadoras de um crescimento optimista desde as
idades mais precoces, encontrando formas que permitam uma
melhor auto-regulação das emoções, das atitudes positivas e da
confiança.
Nesta perspectiva, o curso de formação pretendeu
disponibilizar tempos e espaços de reflexão para identificação
de problemas reais que os participantes percepcionavam no seu
quotidiano profissional, para depois, através do processo de
consciencialização, debate, pesquisa e partilha de informação,
melhorarem a sua intervenção, promovendo-se assim uma Educação
de Infância alicerçada numa filosofia de vida positiva.
No essencial os objectivos da formação poderiam
sintetizar-se em:
Adquirir competências pessoais e profissionais que permitissem
encarar a vida de forma positiva; Sensibilização para a
necessidade da definição de estratégias de intervenção
positivas junto das crianças; e ajudar a minimizar o discurso
pessimista na educação.
Conteúdos da
acção e metodologias adoptadas
Atendendo a que esta acção se enquadrava no âmbito da
Formação pessoal - social em que a Inteligência Emocional está
integrada e da qual o optimismo é dimensão crucial desenhou-se
uma abordagem “curricular” dividida em três grandes blocos:
1-Do Pensar ao Agir
J
Inteligência ou inteligências - A importância da inteligência
emocional
J
Distinguir entre pensamento e sentimento
J
Identificar sentimentos
J
Reflectir sobre vivências
J
Pensar optimista versus pensar optimista
2- Construir
o discurso optimista
J
Análise sobre o efeito das emoções na prática pedagógica
J
Relação optimismo/prática pedagógica
J
Linguagem não verbal e verbal
3-Nascemos ou fazemo-nos optimistas
J
Como ajudar a crescer optimista
J
Soluções criativas para ultrapassar situações práticas de
medo, angustia e frustração
J
Estratégias de resolução de problemas
J
Optimismo - O grande motivador : No grupo, na família na
comunidade
J
A educação Pré-escolar vista pela lupa das emoções,
criatividade e optimismo
Dada a natureza e objectivos da formação e sabendo que
o sucesso da aprendizagem depende sempre do nível de
compromisso de cada pessoa e da oportunidade de praticar foram
privilegiados os procedimentos metodológicos de tipo
interactivo, nomeadamente através de Momentos de reflexão/
identificação de problemas / Partilha de estratégias face às
problemáticas mais frequentes e produção activa de estratégias
de intervenção, e também de tipo demonstrativo pois as
simulações são geralmente facilitadoras da expressão de
sentimentos/emoções.
Reflexões conclusivas
Atendendo a que muitas das propostas requeriam um forte
envolvimento pessoal, o nível de participação dos formandos
excedeu todas as expectativas. Foi notório o esforço feito
pela maioria para pôr em prática as estratégias propostas,
discutidas e vivenciadas ao longo das sessões, quer no ponto
de vista da formação pessoal, quer no que diz respeito à sua
prática pedagógica. Esta convicção advém da nossa observação
directa da participação e envolvimento dos formandos, da suas
produções e dos constantes feedback positivos obtidos ao longo
das sessões.
Referindo-nos ao Stress – tema desta revista
gostaríamos apenas de deixar para reflexão um texto em que
Daniel Goleman refere “Do ponto de vista da inteligência
emocional, o optimismo é uma atitude que protege as pessoas
contra deixarem-se cair na apatia, na desesperança ou na
depressão face às dificuldades.”. Também Seligman (citado
por Goleman) “define o optimismo em termos de como as
pessoas explicam a si mesmas os seus êxitos e fracassos. Os
optimistas encaram o fracasso como consequência de qualquer
coisa que podem mudar de modo a terem êxito da próxima vez,
enquanto os pessimistas aceitam a culpa do fracasso,
atribuindo-o a uma qualquer característica inata que não está
ao seu alcance modificar.” (in: Inteligência Emocional)
Para estes autores estas diferentes “formas de
explicar” têm implicações profundas no modo como as pessoas
respondem à vida. Defendem também que “o optimismo e a
esperança – tal como a impotência e o desespero – podem ser
apreendidos”. Daí a nossa aposta nesta formação!!
“O nosso
cérebro é o melhor brinquedo já criado:
nele se encontram todos os segredos, inclusive o da felicidade.”
(Charles Chaplin)
Por fim
gostaríamos de partilhar o texto (uma lenda) com que iniciamos
a formação, uma vez que é nossa convicção que a mudança começa
em cada um e nós e que essa tarefa é da nossa única
responsabilidade pois não acreditamos todos que “ensinamos
o que somos (e como somos!) e não apenas o que sabemos” ?
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Um Ancião recebeu, certa
vez, a visita de alguns amigos:
- Gostaríamos muito que nos ensinasses aquilo que
aprendeste todos estes anos – disse um deles.
- Estou velho – respondeu o Homem.
- O que conversas com Deus? Quais são as coisas
importantes que devemos pedir?
O homem sorriu.
- No começo, eu tinha o fervor da juventude, que acredita
no impossível. Então eu pedi que me desse forças para
mudar a humanidade. Aos poucos, vi que era uma tarefa para
além das minhas forças. Então comecei a pedir forças para
mudar o que estava à minha volta.
- Neste caso, podemos garantir que parte do teu desejo foi
atendido – disse um dos amigos – o teu exemplo serviu para
ajudar muita gente.
- Ajudei muita gente com o meu exemplo; mesmo assim sabia
que não era o pedido.
Só agora, no final da minha vida, é que entendi o pedido
que devia ter feito logo desde o início.
- E qual é esse pedido?
- Que eu fosse capaz de me mudar a mim mesmo.
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Bibliografia
Freedman, J.
(1998) EQ and Optimismo
Goleman, D. (1996) Inteligencia Emocional ¿Por qué es más
importante que el Cociente Intelectual?. Buenos Aires: Javier
Vergara Editores
Goleman, D. (1998) Working with Emotional Intelligence. New
York: Bantam Books.
Weisinger, H. (1998) La Inteligencia Emocional en el Trabajo.
Buenos Aires: Javier Vergara Editor
Marújo, H.,Neto L., Prelouro N., (1999), Educar para o
Optimismo, Lisboa: Editorial Presença
Marújo, H.,Neto L., (2001), Educação Emocional e Optimismo,
Lisboa: Editorial Presença
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