Revista Bimensal 
Edição 1 - Nov. 03
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proFORM R
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O Centro de Reconhecimento, 
Validação e Certificação de Competências

A Equipa 
CRVCC Proformar 


O CRVCC da Escola Secundária da Sobreda, a funcionar, desde Maio de 2002, é uma valência do Centro de Formação de Associação de Escolas- Proformar. Presta à comunidade adulta um serviço que reconhece, valida e certifica competências adquiridas ao longo da vida em experiências formais, informais e não formais. 

Este serviço, que tem como missão nacional assegurar a escolaridade mínima obrigatória (9º ano), é da responsabilidade da Direcção Geral de Formação Vocacional sob a tutela do Ministério da Educação, conta actualmente para além deste Centro, com mais 55 Centros em funcionamento, prevendo-se que até 2006 estejam em funcionamento 84 centros .

O CRVCC da Escola Secundária da Sobreda tem evoluído de uma forma muito positiva, verificando-se de acordo com o gráfico seguinte que este Centro certificou até ao momento 287 adultos do Concelho de Almada e estando em processo de validação mais 448 adultos.

Este Centro tem procurado ser mais uma resposta de valorização para a toda a comunidade do Concelho de Almada, quer pela possibilidade de permitir o acesso a melhores postos de trabalho, quer pela possibilidade de sensibilizar cada vez mais cada cidadão para um mundo em permanente mudança e que urge uma aprendizagem ao longo da vida.


“A Europa está em transição para uma sociedade e uma economia assentes no conhecimento. Mais do que nunca o acesso à informação e conhecimento actualizados; a motivação e as competências para usar esses recursos, em prol de si mesmo e da comunidade estão a tornar-se a chave do reforço da competitividade da Europa e da melhoria da empregabilidade e da adaptabilidade da força de trabalho.”

(Extraído do Memorando da União Europeia, sobre a Aprendizagem ao Longo da Vida)



Esclarecimento

Um Esclarecimento, um Testemunho e
uma Homenagem

Fernando Cunha Rebelo 
Professor da Escola Secundária Daniel Sampaio
e colaborador da Proformar 


Sabiam que a nossa escola é um CRVCC?

Para os que não se aperceberam do corrupio de gente que tem dado uma vida mais dinâmica e diversificada à nossa escola, promovendo de facto um serviço e uma verdadeira relação com a comunidade envolvente; para os que não sabem - CRVCC é a sigla para Centro de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências. De um modo mais claro, quer dizer que na nossa escola se atribuem certificados de 6º e 9º ano (B2 e B3) a adultos que se candidatem e provem possuir uma série de competências, reconhecendo-se assim oficialmente que no decorrer da sua vida essas pessoas podem ter aprendido muita coisa em contextos extra-escolares (na profissão, como autodidactas, na prática de um hobby, etc.). 

E como se processa esta certificação? Tudo começa com uma entrevista com uma técnica que averigua o percurso de vida do candidato ajudando-o a elaborar um dossier, onde irá reunir e registar relatos da sua vida nos seus mais diversos aspectos, certificados escolares/profissionais - enfim, tudo o que o candidato julgue que pode documentar o seu património pessoal - a sua História de Vida. A técnica ajuda-o ainda a identificar na sua experiência competências adquiridas. Em seguida, o candidato é integrado num grupo onde lhe vão ser diagnosticadas por formadores especializados, durante cerca de 30 horas, competências em 4 domínios gerais: Linguagem e Comunicação, Cidadania, Matemática Para a Vida e TIC.

Após o processo de diagnóstico, que não se resume a uma mera avaliação neutra, mas que passa essencialmente pela criação de condições para que os formandos atinjam os objectivos a que se propuseram, os formandos/candidatos submetem os seus dossiers, assim como a execução de tarefas em que evidenciem as suas competências, à apreciação de um Júri que finalmente lhes dará a certificação formal. Este Júri é composto por um avaliador externo, pela técnica e pelos formadores. Esta certificação tem a mesma validade que qualquer outra obtida através do ensino regular.

Quais as vantagens, por exemplo, em relação às unidades capitalizáveis? Para começar, o propósito fundamental de valorizar a experiência de vida, não fazendo tábua rasa das aprendizagens e experiências que tornaram muitas pessoas competentes em diversas áreas de utilidade evidente para o seu Projecto de Vida. Caso que não ocorre tão frequentemente com muitas pseudo-aprendizagens, que apenas escondem um ensino automatizado de conteúdos, avaliados pela reprodução de enunciados memorizados que ainda hoje prevalece em muitos dos nossos esquemas escolares. 

De igual importância é o acompanhamento dado ao candidato ao longo de todo o processo pelo técnico, que funciona como um facilitador, um mediador entre formadores e candidatos, ajudando a gerir situações de maior dificuldade.


Uma organização à medida dos formandos, formandos que correspondem ao empenho da organização

Dado que participei, quase desde o início, como formador na montagem do CRVCC, sinto poder dar, desta maneira, testemunho do processo e do produto resultante do trabalho de toda a equipa. Desde o princípio, gostaria de salientar o bom ambiente de equipa entre coordenador, técnicos e formadores que resultou do empenho, abertura, espírito de entreajuda que desde cedo começou a dar os seus frutos. 

Contrariamente a algumas situações de leccionação que experimentei ao longo da minha experiência docente, todo o dispositivo organizacional se canalizava para a satisfação dos objectivos do projecto - a tarefa era simultaneamente simples e complexa: simples porque os objectivos eram claros e todos os esforços se orientavam para os alcançar; complexa porque havia que desbravar terreno e buscar soluções imaginativas, pois se os princípios tinham sido facilmente interiorizados, o processo necessitava frequentemente de ser avaliado e reajustado, sempre que as necessidades o justificavam.

Por outro lado, a flexibilidade dos conteúdos abertos, uma formação/diagnóstico centrada em tarefas próximas das circunstâncias de vida dos formandos e norteada sempre pelo treino e avaliação de competências e não de conteúdos, permitia um contexto formativo dificilmente experimentado pelos automatismos institucionais de que alguns de nós se queixam no ensino regular. 

É de salientar ainda a adesão dos formandos, adultos empenhados na sua esmagadora maioria, após o dia de trabalho, curiosos e dispostos, apesar de tudo, a reabilitar experiências escolares negativas do passado e a dar a si próprios e a nós, formadores, uma oportunidade de conjuntamente construirmos uma "escola" diferente.

Vários foram os que, não tendo tido sucesso na escola regular, deram provas de uma capacidade e criatividade que noutra condição institucional dificilmente lhes teria sido reconhecida. Para eles fica o meu agradecimento pelo prazer de me terem feito sentir útil como professor e de me terem deixado participar na concretização de alguns dos seus sonhos.

Dos muitos formandos que conheci, destaco um senhor de 75 anos, cujo escola oficial graduou com a 4ª classe, especialista altamente qualificado em comunicações por satélite, viajante de inúmeros cursos e situações por esse mundo fora, e que não queria deixar a vida sem o orgulho de possuir o 9º ano. 


"Pelo sonho é que vamos..."

Acreditando na grande utilidade deste projecto e nas pessoas nele envolvidas - uma preciosa gota de água num país cuja população apresenta tão fraco nível de qualificação e que tantas vezes se desbaratam recursos na educação/formação com os resultados que vemos - não podia terminar sem deixar uma palavra de apreço a todos elas, técnicas e formadores, em geral e à Júlia em particular.

Finalmente, um abraço à nossa incansável directora e amiga Adelaide (o motor de tudo isto), confiando que a sua energia e disponibilidade a farão ultrapassar vicissitudes e obstáculos e dizendo-lhe, em meu próprio nome, (como se ela o não soubesse...) que "pelo sonho é que vamos".