“ Em Ciência, o grande teorizador equivale ao
grande artista; e, tal como o artista, também ele é conduzido pela sua
imaginação, a sua intuição e o seu sentido da Forma”
Karl Popper
O número 14 desta revista on-line,
intitulada “Com(fluências) da Ciência no Espaço da Arte” é dedicada à
temática Arte e Ciência. A escolha desta problemática revelou-se de especial
pertinência, dada a importância que nos dias de hoje as relações entre estas
duas áreas assumem no panorama social e educativo.
Sabemos que no plano dos princípios
teóricos a introdução destas áreas nos diversos níveis de ensino são comummente
aceites, no entanto em termos da sua aplicabilidade prática ainda é incipiente o
seu desenvolvimento, a não ser que, estas assumam o carácter de disciplinas
obrigatórias. Mas o que nesta revista essencialmente se pretende, é procurar
encetar uma reflexão sobre o modo de operacionalizar vários contextos
formativos, projectos que incluam a união entre os saberes subjacentes a estas
duas áreas, como modo de colmatar e prevenir a iliteracia artística e
científica.
Acreditamos que é possível levar estas
linguagens e estas formas de comunicar o mundo a todos os níveis etários, desde
o jardim-de-infância, e disso já existe evidências em muitos contextos
educativos portugueses, nomeadamente no concelho de Almada. No entanto, muitas
vezes estas acções não assumem carácter sistemático, funcionam como um mero
passatempo, não lhe sendo, contudo, atribuído o relevo que estas merecem.
Estão na ordem do dia os discursos que
caracterizam a escola, como uma instituição inclusiva; ou seja, esta, deve
ajudar a acolher e a desenvolver cada um dos alunos. Ora, partindo deste
pressuposto, a escola deve privilegiar a multiplicidade de formas de
comunicação, tornando-se esta premissa um direito dos alunos e um dever dos
professores, de modo que se potencie uma maior atenção no desenvolvimento dos
vários tipos de inteligência, com destaque para as aprendizagens artísticas,
experimentais e do domínio das expressões pessoais, independentemente do futuro
profissional que cada um venha a prosseguir.
Em síntese gostava de deixar esta afirmação
para que todos nós possamos reflectir sobre a nossa maneira de estar na
profissão e até generalizá-la um pouco para o nosso modo de encarar o mundo:
“A escola não pode continuar a encarar os seus
alunos (seja qual for o seu nível etário), como entidades passivas, tornando-se
urgente experimentar itinerários pedagógicos que salientem o seu papel activo,
estimulando iniciativas que promovam a sua responsabilização, impulsionando o
contacto com o diferente, desafiando os “equilíbrios” estabelecidos". (
Augusto Santos Silva, 1999)
Elisa Marques
Orgª do número 14
Revista Proformar On-line