Revista Bimensal 
Edição 14 - Março 06
Página

proFORM R
online

 

 

Com(fluências) da Ciência no Espaço da Arte

 

Em Ciência, o grande teorizador equivale ao grande artista; e, tal como o artista, também ele é conduzido pela sua imaginação, a sua intuição e o seu sentido da Forma”
Karl Popper

 

O número 14 desta revista on-line, intitulada “Com(fluências) da Ciência no Espaço da Arte” é dedicada à temática Arte e Ciência. A escolha desta problemática revelou-se de especial pertinência, dada a importância que nos dias de hoje as relações entre estas duas áreas assumem no panorama social e educativo.

Sabemos que no plano dos princípios teóricos a introdução destas áreas nos diversos níveis de ensino são comummente aceites, no entanto em termos da sua aplicabilidade prática ainda é incipiente o seu desenvolvimento, a não ser que, estas assumam o carácter de disciplinas obrigatórias. Mas o que nesta revista essencialmente  se pretende, é procurar encetar uma reflexão sobre o modo de operacionalizar vários contextos formativos, projectos que incluam a união entre os saberes subjacentes a estas duas áreas, como modo de colmatar e prevenir a iliteracia artística e científica.

Acreditamos que é possível levar estas linguagens e estas formas de comunicar o mundo a todos os níveis etários, desde o jardim-de-infância, e disso já existe evidências em muitos contextos educativos portugueses, nomeadamente no concelho de Almada. No entanto, muitas vezes estas acções não assumem carácter sistemático, funcionam como um mero passatempo, não lhe sendo, contudo, atribuído o relevo que estas merecem.

Estão na ordem do dia os discursos que caracterizam a escola, como uma instituição inclusiva; ou seja, esta, deve ajudar a acolher e a desenvolver cada um dos alunos. Ora, partindo deste pressuposto, a escola deve privilegiar a multiplicidade de formas de comunicação, tornando-se esta premissa um direito dos alunos e um dever dos professores, de modo que se potencie uma maior atenção no desenvolvimento dos vários tipos de inteligência, com destaque para as aprendizagens artísticas, experimentais e do domínio das expressões pessoais, independentemente do futuro profissional que cada um venha a prosseguir.  

Em síntese gostava de deixar esta afirmação para que todos nós possamos reflectir sobre a nossa maneira de estar na profissão e até generalizá-la um pouco para o nosso modo de encarar o mundo:

 “A escola não pode continuar a encarar os seus alunos (seja qual for o seu nível etário), como entidades passivas, tornando-se urgente experimentar itinerários pedagógicos que salientem o seu papel activo, estimulando iniciativas que promovam a sua responsabilização, impulsionando o contacto com o diferente, desafiando os “equilíbrios” estabelecidos". ( Augusto Santos Silva, 1999)
 

Elisa Marques
Orgª do número 14
Revista Proformar On-line