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Avaliar para
formar
Formadora do Centro Proformar
O termo avaliação tem
sido associado a teste, exame, controle, nota, do ponto de
vista do professor e medo, insegurança, punição, angústia,
nervos, por parte do aluno.
Hoje, o conceito de avaliação aponta para superação,
valorização, processo, evolução, construção de saberes e
sucesso. Coloca-se a tónica na formação contínua e integrada
do aluno que utiliza várias etapas para realizar um produto,
tomando consciência das estratégias utilizadas e aprende a
analisar dificuldades e procurar soluções úteis para resolver
as situações-problema que lhe são colocadas no processo de
ensino-aprendizagem. A avaliação pode e deve ter um papel
relevante no desenvolvimento de aprendizagens complexas, no
desenvolvimento moral e no desenvolvimento sócio-afectivo dos
alunos. A avaliação pode segregar ou pode integrar. Pode
melhorar a auto-estima dos alunos, pode piorá-la ou, em casos
extremos, pode mesmo destruí-la. Pode orientar o percurso
escolar dos alunos ou pode afastá-los de qualquer percurso.1
Este conceito de avaliação não deverá ser, apenas e só,
psicométrica 2 para passar a ser
alternativa onde os testes tradicionais podem deixar de fazer
sentido. Para que este tipo de avaliação se concretize, é
forçoso que o professor assuma o papel de regulador das
aprendizagens e não de “carrasco” que penaliza o aluno com uma
classificação (qualitativa ou quantitativa) atribuída a uma
determinada tarefa e volta a penalizá-lo quando a adiciona com
outra posterior, fazendo a média das duas, ainda que o aluno
tenha progredido.
O aluno, do 1º para o 2º momento, deu mostras de ter
desenvolvido uma determinada competência. Importa, pois,
salientar que a 2ª classificação representa o patamar de
proficiência do aluno e essa devia ser a sua classificação.
A avaliação assim encarada leva o aluno a implicar-se
na aprendizagem e a tomar consciência dos seus progressos e/ou
dificuldades em relação às aprendizagens que tem que adquirir.
A prática reflexiva é, para o aluno, um meio de desenvolver
e consolidar as competências. Uma postura e uma perspectiva
reflexivas permitem adquirir experiência e conquistar
autonomia face às expectativas do meio envolvente. Trata-se de
uma “metacompetência” da qual dependem todas as outras (Perrenoud,
2001). Esta prática pressupõe um desenvolvimento global do
pensamento crítico que é exercido sobre o conjunto dos saberes.3
O professor deve induzir os alunos ao processo
reflexivo, ajudando-os a ver o que sozinhos não conseguem
ainda que tenham os conhecimentos e as competências, ainda que
sejam capazes de raciocinar, memorizar, compreender, deduzir,
mas incapazes de pôr a funcionar um raciocínio metacognitivo.
Assim, o professor deve ajudá-los a questionar-se sobre como
fazer, que estratégias cognitivas utilizar, sobre como
interagir com os outros e com o meio, enfim, a tomar
consciência do que aprendem e como podem aprender, tentando
fazê-los reflectir sobre o seu estatuto de aluno. É a
metacognição que torna possível a transferência dos
conhecimentos e das competências no processo de aprendizagem.4
Para lá de implicar o aluno no seu processo de
aprendizagem, deve também o professor implicá-lo na
co-avaliação dos seus pares, papel que até agora seria
impensável ser-lhe atribuído.
Neste contexto, o ALUNO é actor,
cooperador e crítico, tornando-se cidadão
responsável e autónomo, que aprende a utilizar a palavra, oral
e escrita, para intervir na sociedade, plena e
conscientemente.
Para que isso se torne possível é necessário que aos
alunos seja dado a conhecer:
-
o que se avalia, ou seja, o que
se espera deles quando se lhes coloca uma situação-problema,
tendo em vista os objectivos preconizados pelos programas;
-
como se avalia, ou seja, quais
os critérios e parâmetros a utilizar pelo professor de modo a
criar uma total transparência no processo.
Desta forma, deixa de ser
pertinente marcar testes em datas pré-determinadas se
tivermos em conta que cada momento de produção é um momento de
avaliação, neste caso formativa e não punitiva.
Para pôr em prática esta avaliação é necessário criar
instrumentos que a regulem eficazmente.
Um desses instrumentos é, sem dúvida, o portfolio que
atribui protagonismo ao aluno por permitir que construa as
suas próprias aprendizagens e tem as vantagens de:
- monitorizar a aprendizagem;
- proporcionar a tomada de consciência das estratégias que
utilizou;
- promover uma boa relação professor/aluno;
- aumentar a auto-estima e o auto-conceito;
- estimular o pensamento reflexivo;
- permitir ao aluno avaliar as suas capacidades;
- implicá-lo na concepção e desenvolvimento de um trabalho de
projecto;
- estimular o gosto pela aprendizagem.
O uso de portfolio leva o
professor a fornecer um feedback em tempo útil e a equacionar
mais eficazmente o percurso individual ao fazer ajustamentos e
correcções, o que proporciona ao aluno uma aprendizagem
significativa e estável.
No que se refere especificamente à disciplina de
Português, é necessário deixar claro que haja uma distribuição
equitativa na percentagem atribuída a cada competência nuclear
(compreensão/expressão oral, escrita, leitura e funcionamento
da língua).
O que tem acontecido é que as aulas têm decorrido sob o
“signo” do oral quando o professor falava para aluno ouvir (ou
não ouvir) e a avaliação só era feita através da escrita.
Vários erros se cometiam. Primeiro, o professor falava
e não era dada a palavra ao aluno para que ele pudesse
formalizar um discurso previamente planificado para ser
textualizado correctamente. Depois, o professor apenas aferia
o que o aluno repetia por escrito tudo o que lhe fora
transmitido oralmente ou através da leitura e quanto mais
conseguisse reproduzir o que o modelo (o professor ou o texto)
dissera melhor seria a sua classificação.
Tudo isto denota uma profunda incongruência.
Tendo-se, até agora, privilegiado a leitura, é urgente
desenvolver a oralidade, utilizando os géneros públicos e
formais do oral e, paralelamente, desenvolver a escrita, não
partindo do pressuposto que o aluno já sabe produzir uma
determinada tipologia textual, mas antes pôr em prática cada
etapa dessa aprendizagem para que o aluno desenvolva também
essa competência.
O que se pretende é que o aluno desenvolva todas as
competências. Para isso, além dos modelos que a leitura lhe
fornece, é necessário que o professor leccione todos os
conteúdos processuais, ou seja, trabalhe com o aluno as etapas
necessárias para que ele se autonomize a planificar,
textualizar e avaliar, revendo sempre que executa e
reformulando várias vezes para textualizar melhor, depois de
ter tomado consciência do erro.
Só este processo metacognitivo fará do aluno um cidadão
de pleno direito, ao manusear a palavra oral e escrita que lhe
dará o poder para poder participar activamente na sociedade em
que se insere.
1 Domingos
Fernandes, (?), Avaliação das Aprendizagens: Uma Agenda,
muitos Desafios, Texto Editora
2 Ibidem
3 Conceição Coelho e Joana Campos, (2003),
Como Abordar … o Portfolio na Sala de Aula, Areal Editores
4 Ibidem
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