Revista Bimensal 
Edição 6 - Novembro 04
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online

 




Como avaliar um Site de Escola


Dulce Maria Franco
dulce.franco@ulusofona.pt
UID Observatório de Políticas de Educação
e de Contextos Educativos da Univ.
 Lusófona de Humanidades e Tecnologias


A reflexão que se apresenta é o resultado de uma investigação realizada sobre sites de escola (Franco, 2002) e procura, essencialmente, contribuir para ajudar a clarificar o site de escola como uma das imagens de uma determinada comunidade educativa.

O site constitui um objecto de estudo relevante para a compreensão da escola, ao incluir conteúdos tais como: o projecto educativo da escola, seus objectivos, actividades e eventos; conteúdos resultantes dos trabalhos e projectos dos alunos e professores; materiais e recursos utilizados nas aulas; actividades extracurriculares; abordagens curriculares praticadas na escola; informações sobre horários, programas, cursos opcionais, reuniões e outros aspectos relacionados com o funcionamento quotidiano da escola; meios de contacto, colaboração e partilha para os membros da comunidade escolar e para os visitantes interessados em participar, propostas de utilização das TIC nas actividades curriculares. Contudo, não é apenas através do conteúdo publicado que a escola se revela. O modo como este se apresenta estruturado de acordo com uma tipologia de nódulos adequada, denotando domínio sobre o hipertexto, o design escolhido e a concretização técnica do site são susceptíveis de esclarecer quem está por detrás dele e como se organiza.

Um manancial de guiões de orientação, destinados à comunidade escolar, como suporte para a publicação de documentos online e sua análise, podem ser encontrados na Internet. Estes guiões referem-se a vários aspectos, tais como o tipo de ligações a efectuar, a utilidade do conteúdo e sua legitimidade, a autoria e a actualidade dos temas abordados.

A qualidade de um site de escola define-se segundo um conjunto de critérios, fundamentalmente de ordem técnica e estética, que são comuns a todos os sites e, também, segundo critérios específicos que se relacionam, basicamente, com a natureza e organização dos conteúdos e sua actualização, e com a manutenção e sustentação do próprio site.

A construção e manutenção das páginas que constituem um site processa-se, segundo diferentes autores, nas seis etapas seguintes: (1) planificação dos conteúdos; (2) escrita do texto num processador de texto ou editor HTML; (3) visualização das páginas offline; (4) colocação das páginas na Web; (5) acesso periódico às páginas para ajuizar acerca da qualidade de funcionamento e actualização e (6) manutenção actualizada, conduzindo à renovação dos conteúdos e dos serviços oferecidos. Nielsen (1997) apresenta um guião com três orientações básicas para a criação de um site: (1) ser sucinto, ou seja, não escrever mais do que 50% do texto que se tem numa publicação impressa; (2) escrever com scannability, isto é, não utilizar grandes parágrafos e (3) produzir em hipertexto estabelecendo relações entre as diferentes páginas constituintes.

A realização de um site de escola deve estar a cargo dos professores, dos alunos e demais interessados em participar, e ter como responsáveis uma equipa de coordenação que procede à concepção, construção, publicação, manutenção e sustentação do site.
Como resultado da investigação anteriormente citada (Franco, 2002), construiu-se uma grelha de observação/análise de sites (A) constituída por um conjunto de itens agrupados de acordo com os seguintes critérios:

  • Aspectos técnicos – conjunto de atributos que evidenciam as funções e propriedades do site.

  • Autoria – informações acerca de quem está por detrás do site, sua concepção e manutenção.

  • Acesso – conjunto de indicações que permitem o acesso a diferentes audiências, ao autor e ao webmaster do site.

  • Conteúdo – conjunto de todas as indicações, textos e documentos que se encontram no site para fins educativos, informativos, de lazer ou entretenimento.

Cada um destes quatro grupos está subdividido em diferentes itens, totalizando 47.


A- Grelha de Análise de Sites ©


Aspectos Técnicos e Visuais
 

 
SS

 
nN

 
NN/A

A primeira página identifica a escola.

 

 

 

Contém uma página com a apresentação da escola.

 

 

 

Parece atractivo e amigável.

 

 

 

Existe um índice na página principal e nas outras páginas.

 

 

 

A navegação é fácil.

 

 

 

Os diferentes meios (ex. vídeo, sons) encontram-se bem identificados.

 

 

 

Os links de regresso ou de avanço são suficientes.

 

 

 

Tem tabelas auxiliares de leitura.

 

 

 

Apresenta páginas inacabadas (em construção).

 

 

 

O layout é intuitivo e claro.

 

 

 

Permite uma leitura fácil, contrastando com o background utilizado.

 

 

 

A utilização de suporte multimédia reforça a compreensão do site.

 

 

 

O carregamento de gráficos e imagens é rápido.

 

 

 

Tem uma base de dados inerente ao próprio site.

 

 

 

Disponibiliza ferramentas de trabalho.

 

 

 

Contém contador de visitantes.

 

 

 

A proveniência da informação é claramente identificada.

 

 

 

 
Autoria
 

 

 

 

Incluí a data da sua criação.

 

 

 

O autor ou coordenador está identificado.

 

 

 

Descreve a organização responsável pela criação e manutenção do site.

 

 

 

Apresenta a equipa editorial.

 

 

 

A data da última actualização está indicada.

 

 

 

O site foi revisto recentemente.

 

 

 

 
Acesso
 

 

 

 

O tempo de carregamento é rápido.

 

 

 

Permite o acesso a outros links similares e com interesse.

 

 

 

Tem e-mail de contacto para o autor.

 

 

 

Indica o contacto com o Webmaster.

 

 

 

Permite o acesso a outro público para além do português.

 

 

 

Permite o acesso a utilizadores com limitações físicas ou materiais.

 

 

 

 
Conteúdo
 

 

 

 

Descreve o projecto educativo da escola.

 

 

 

O conteúdo é susceptível de gerar novas visitas.

 

 

 

Os títulos e cabeçalhos explicitam claramente o conteúdo.

 

 

 

A compreensão dos objectivos do site é clara e simples.

 

 

 

As fontes de informação estão identificadas.

 

 

 

Os textos estão bem construídos gramatical e ortograficamente.

 

 

 

O conteúdo está adaptado a diferentes grupos de público.

 

 

 

São incluídos links relevantes para sites relacionados.

 

 

 

Os textos são originais e legítimos.

 

 

 

É possível incluir sugestões sobre o próprio site.

 

 

 

Existe uma complementaridade entre os textos e o uso de suporte multimédia.

 

 

 

O site inclui a participação de elementos fora da escola.

 

 

 

O conteúdo é significativo para o utilizador.

 

 

 

Convida à interactividade.

 

 

 

Inclui trabalhos de investigação.

 

 

 

Contém um repositório de trabalhos dos membros da comunidade escolar.

 

 

 

O conteúdo identifica a audiência para que se destina.

 

 

 

O que disponibiliza está adequado aos objectivos explícitos.

 

 

 


Para um melhor compreensão do site de escola, a aplicação desta grelha de análise deverá ser reforçada com entrevistas aos professores e alunos da escola onde se pretenda fazer a análise do site com o fim de se obter uma imagem mais autêntica da comunidade educativa.
 

 


Referências Bibliográficas
Nielsen, J. (1997). Be succint! - writing for the Web. Extraído em Outubro de 2000 de http://www.useit.com/alertbox/9703b.html.
Franco, D. (2002). O Site como Portfólio da Escola. Ideias e Práticas de Professores. Dissertação de Mestrado apresentada na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias.