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À PROCURA DE UMA IDENTIDADE...
Ana
Paiva e António Brinco
Professores da
Esc. Sec. Monte de Caparica
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Resumo/Abstract
Justificações
para o desenho e desenvolvimento curricular de um trabalho
projecto..
À
Procura De Uma Identidade explicita o trabalho
projecto de geometria variável desenvolvido no âmbito
das tecnologias de informação e comunicação, com a
intenção de criar novos contextos de aprendizagem
potenciadores de uma assimilação dinâmica da Educação
para a Cidadania.
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De onde
partimos
Quando
nos inscrevemos na acção de formação de professores «Educar
para uma Europa Plural e Solidária» (modalidade oficina de
formação) tínhamos, para além dos objectivos de actualizar
formação, a intenção de desenvolver conteúdos multimédia,
que pudessem complementar as temáticas da Educação para a
Cidadania e despertar os nossos alunos para os
interessantes desenvolvimentos do processo de aprofundamento da
União Europeia.
No
decurso das primeiras sessões presenciais da acção procedemos
a uma reflexão prévia, relativa aos problemas que se
colocariam a quem tivesse o propósito de dinamizar um projecto,
de intervenção didáctico-pedagógica, suficientemente
apelativo e motivador nesses domínios. Na sequência dessas
sessões de trabalho conjuntas adoptámos uma abordagem
dialéctica, para uma interpretação da temática da
integração europeia, desdobrada nas seguintes questões:
Como
representamos a União Europeia?
Como nos interpela a pertença à União?
De que modos nos condiciona essa pertença?
Que perspectivas de futuro se nos abrem? |
Com a
problematização desenvolvida, na sequência da reflexão
partilhada, confrontámo-nos com distintas dificuldades de
definição e representação da Europa e da cidadania europeia.
As dificuldades em configurá-las, as resistências naturais à
criação de um consenso semântico mínimo, capaz de estimular
e projectar uma cidadania europeia participada e autêntica,
fizeram-nos então oscilar entre dois lances conceptuais:
-
U.E.
projecto em curso com influência positiva nos domínios da
circulação de pessoas e bens, da integração monetária,
da defesa do consumidor, do desenvolvimento sustentável e
da manutenção da paz, que se reflectiram na melhoria das
legislações nacionais nas áreas social, económica e
ambiental, perspectivando-se, por essas razões, a
continuação de desenvolvimentos interessantes nestes
domínios;
-
A
U.E. projecto em curso saturado de ambiguidades e
contradições, decorrentes da normalização jurisdicional,
da padronização comportamental, da monocultura da
transnacionalidade e da eventual e receada perda das
identidades nacionais, com o consequente bloqueio do
processo de aprofundamento de uma integração mais
autêntica e mais participada.
A
reflexão conjunta e a problematização entretanto
desenvolvidas serviram-nos, também, para pensarmos na
relevância, ou não, de uma abordagem formal das questões da
representação e vivência dos contextos da cidadania europeia
com os nossos alunos. Tornaram-se-nos, então, evidentes as
limitações de uma abordagem estritamente formal para potenciar
e desenvolver uma apropriação, responsabilização e vivência
participadas de cidadania, pelo que optámos por um compromisso
entre currículo formal e informal e por uma abordagem que
induzisse e replicasse, momentos intercalares de
reflexão/acção.
O que nos
propusemos
Decidimo-nos,
pois, por mobilizar recursos multimédia, para construir novos
contextos de ensino-aprendizagem, potenciadores de uma maior
operatividade e uma mais activa assimilação de conteúdos
relevantes que dinamizassem, de um modo mais participado e
interactivo, os conteúdos da Educação para a Cidadania,
no domínio da acção Educar para uma Europa Plural e
Solidária. O guião de trabalho prospectivo, que nessa
linha desenvolvemos para a produção do DVD, comprimia em 13
minutos momentos significativos da História Europeia
Contemporânea, estereótipos e imagens dos outros europeus e os
Ideais e Valores matriciais da Cidadania Europeia. Terminava o
DVD com um desafio, aos alunos, para imaginarem a configuração
da cidadania do futuro.
Procurámos,
desta forma, ultrapassar o circuito fechado das aprendizagens
formais e destacar a necessidade de uma aprendizagem para a
cidadania activa, a partir da interiorização dos grandes
momentos da criação da União Europeia. Visámos, assim,
alterar os hábitos de apropriação tradicional dos momentos de
reconstrução histórico-racional dos ideais democráticos e
civilizacionais, que a Europa projectou, projecta e supostamente
projectará ...
A nossa
intervenção com os alunos foi, por estas razões, pensada como
trabalho projecto, mobilizador das questões da
construção da identidade europeia. Para o efeito, partimos de
uma pesquisa histórica alargada, para a elaboração de um
guião de geometria variável, que acomodasse os conteúdos do
maior número possível de disciplinas, relevantes para a
interiorização desse complexo processo de construção.
O que
fizemos
«À Procura
de uma Identidade», o nosso projecto, ancorou-se na
história da criação, afirmação e aprofundamento dos Ideais
e dos Valores da cidadania europeia, mas reforçou essa
abordagem histórica procurando proporcionar uma visão
panorâmica da primeira metade do séc. XX europeu, com o
seu cortejo de guerras, destruição e perda de influência
internacional, seguida da emergência de uma visão integradora,
que os “pais fundadores” da Europa projectaram a partir da segunda
metade do séc. XX. Mobilizámos, ainda, conteúdos que
evidenciassem o modo como essa visão integradora, avançada
pelos “pais fundadores”, acomodava a nova configuração
europeia emergente, forjando um projecto progressivo de
afirmação de uma nova identidade, não inibidora da diversidade.
Tendo,
sempre, presente como horizonte, a motivação e o envolvimento
efectivo dos alunos e o seu enriquecimento, quer como
indivíduos, quer como cidadãos, pensámos a nossa
intervenção dando-lhe um carácter sistémico e estruturado,
seleccionando, para o efeito, o conjunto de objectivos e
competências que de seguida elencamos:
Objectivos
Gerais
-
cruzar
competências cognitivas, comportamentais e éticas;
-
intersectar
os conteúdos dos planos curriculares numa perspectiva
transdisciplinar;
-
libertar a
energia criativa dos alunos para a construção, individual
e/ou colectiva, do seu próprio desenvolvimento.
Objectivos Específicos
-
consciencializar
os alunos para a complexidade do processo de construção
europeia;
-
promover a
pesquisa orientada das temáticas pertinentes para o
processo de construção da representação da identidade
europeia;
-
mobilizar
conteúdos históricos, patrimoniais e socioculturais
relevantes para o conhecimento da realidade supranacional
emergente;
-
induzir à
participação activa e partilhada nos debates necessários
à vivência do processo de afirmação de uma identidade
comum;
-
apoiar o
desenvolvimento de competências comportamentais de
cidadania e de participação responsável, partilhada e
proactiva de transformação da realidade social.
Competências
SABERES:
-
o
conhecimento e a interiorização de regras de vivência
colectiva;
-
o
conhecimento e a interiorização de regras de convivência
democrática;
-
o
conhecimento e a interiorização dos Princípios, Valores,
Direitos e Obrigações decorrentes do ordenamento social,
jurídico e político da Europa da União;
-
o
conhecimento da História Contemporânea da Europa do
séc.XX;
-
o
conhecimento da história do processo de construção
europeia nas suas dimensões de criação, alargamento e
aprofundamento;
-
o
conhecimento dos valores configuradores do ideal de
cidadania;
APTIDÕES:
-
a pesquisa
orientada; · a recolha, selecção e classificação de
informação;
-
o
tratamento e processamento de dados;
-
a
elaboração de textos argumentativos; · a organização de
portfolios;
-
a
preparação e condução de debates;
ATITUDES:
-
o
desenvolvimento do sentido de cooperação;
-
o
desenvolvimento da capacidade de escolha, partilha e
participação cívica;
-
o
desenvolvimento do potencial de intervenção em debates
públicos;
-
o
desenvolvimento do posicionamento crítico-problematizador.
O que
conseguimos realizar
No
decorrer do processo de desenvolvimento do projecto abordámos,
transversalmente, conteúdos disciplinares de distintos planos
curriculares. Visámos, assim, aprofundar a importância da sua
integração. Mobilizámos informação diversificada, sem a
tratar apenas de um modo estritamente formal, pois tivemos
sempre no horizonte das nossas práticas a preocupação de
criação de novos contextos de ensino-aprendizagem, mais
interactivos e por essa razão mais estimulantes dos caminhos de
pesquisa, tratamento de dados, debate e curiosidade pela
cidadania do futuro, que intencionalmente procurávamos induzir
nos alunos com quem trabalhámos para validar a experiência.
Diversificámos
e adaptámos metodologias e estratégias, ajustando-as aos
níveis cognitivos dos diferentes grupos de alunos, com quem
cooperámos para validar os produtos (DVD, guiões de
exploração, bancos de questões, guião para orientação de
debates...) e os processos (pesquisa orientada, recolha e
tratamento de informação, selecção de situações-problema,
debates, organização de portfolios...). Utilizámos
recursos diversificados, em particular na área das tecnologias
da informação, procurando proporcionar aos alunos uma
assimilação mais enriquecedora e integradora de conhecimentos,
valores e atitudes, que em situação de aprendizagem formal
não teria sido possível .
Em
retrospectiva, consideramos como mais valias para os alunos:
uma maior consciencialização e interiorização do sentimento
de pertença a uma comunidade supranacional em construção; o
aprofundamento das suas competências de análise, debate,
argumentação e intervenção crítica; o reforço das suas
atitudes de cooperação, de aceitação do outro e de partilha;
a assimilação dos ideais e dos valores fundamentais da
cidadania europeia e, no limite, o despertar das suas
consciências para a importância e a necessidade de descobrirem
novos caminhos e modos de participarem activamente na
construção do futuro.
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