|
Resumo/Abstract
Neste artigo,
intitulado “As Novas Cidadanias no contexto da
Globalização”, a autora, a partir do carácter dinâmico,
multifacetado e polissémico do conceito cidadania,
reflecte sobre o processo de construção histórica e
social da cidadania nos novos contextos da globalização.
Tradicionalmente associada à qualidade de membro
de uma comunidade política, a cidadania percorreu um
longo caminho que a autonomizou progressivamente da mera
participação na esfera pública (Habermas, 1993)
assumindo contornos cada vez mais alargados e
abrangentes.
Claramente distanciada do espartilho jurídico da
nacionalidade e das fronteiras do Estado-Nação, a
cidadania emancipa-se de uma concepção estática de cariz
eminentemente estatutária, para assumir cada vez maior
flexibilidade e dinamismo ante os novos desafios
colocados às democracias contemporâneas sendo
frequentemente invocada como a trave-mestra de um novo
contrato social, capaz de reinstar a inclusão e de
reconciliar democraticamente o económico, o social e o
político, o local e o global.
Nos contextos da globalização, é realçado o
carácter lato sensu da cidadania e a sua importância no
aprofundamento e construção das democracias
participativas e poliárquicas. Num contexto plasmado por
novas cidadanias e apologista de uma cidadania expansiva
lato sensu configura-se, em simultâneo, a emergência de
uma concepção de cidadão como consumidor de uma
cidadania sem rosto e altamente regulada.
A uma visão consumista, murada e cooptada de
cidadania, a autora propõe a abertura a uma política
cosmopolita, ao diálogo inter-transcultural, à
hermenêutica dialógica e diatópica, à mobilização e
empowerment das subjectividades individuais e
colectivas; à reinvenção dos espaços local, regional e
global enquanto pressupostos e possibilidades
indispensáveis e urgentes na construção da democracia
expansiva e participativa.

|