Revista Bimensal 
Edição 22 - Dezembro 07
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Alunos cuja língua materna não é o português

 

Teresa Romão
Professora do 1.º Ciclo 


 


Resumo/Abstract


O presente artigo subordinado ao tema “Alunos cuja língua materna não é o português”, resulta de um trabalho de grupo realizado no âmbito da disciplina de Metodologias do Ensino da Língua Portuguesa, que pertence ao 3.º ano do Curso de Professores do 1.ºCiclo, da Escola Superior de Educação de Lisboa. Este artigo visa aportar algumas reflexões sobre uma realidade cada vez mais presente nas nossas salas de aula. Todavia, é de salientar que a situação prática criada não foi possível de comprovar. Dito isto, apresentam-se estratégias utilizadas com o intuito de integrar uma criança cuja língua materna não é o português.

Para a concepção deste trabalho emergiu a necessidade de delinear alguns objectivos que fossem de encontro à situação específica do aluno: a sua origem e situação actual e à necessidade de obter ajuda não só através dos pais, como também de outras pessoas com domínio da língua romena. Os objectivos delineados foram:

  1. Sensibilizar para a diversidade linguística e cultural naturalmente visível nas comunidades escolares;

  2. Promover actividades de carácter integrador e dinâmico na sala de aula de modo a conseguir uma eficaz intervenção educativa relativamente a alunos imigrantes.

As actividades apresentadas, embora se destinem à totalidade da turma, foram especialmente dirigidas a um novo aluno de origem Romena. Este aluno, o Greg, de 8 anos de idade, acabava de chegar a Portugal (a uma turma do 2.ºano, no segundo mês de aulas) e nunca tivera qualquer tipo de contacto com a língua portuguesa.

Depois de muita pesquisa e muita reflexão emergiram diversas estratégias e actividades, a realizar em três grandes momentos.

Antes da chegada do aluno:
• Trabalho prévio do professor e alunos
• Projecto Roménia

No primeiro dia de aulas do aluno:
• Recepção ao novo aluno

Depois da recepção:

  • Actividades em conjunto com a turma:

    • Exploração de um livro em Romeno (trazido pelo menino);

    • Histórias, rimas, lengalengas instituídas na rotina da sala de aula.

  • Actividades personalizadas, desenvolvidas especificamente para o menino romeno:

    • Actividades a computador:

      • Álbum formado por várias categorias, tais como: alimentação, animais, cores, meios de transporte, vestuário, casa e escola;

      • Lengalengas, trava – línguas;
        Canções;

      • Jogos para trabalhar o som ão;
        Leitura de uma história.

A concepção e realização deste trabalho gerou um aumento de consciencialização e uma aquisição de saberes passíveis de serem aplicados em situações idênticas.

É fundamental “(...)tão cedo quanto possível, sensibilizar as crianças para a diversidade linguística e cultural, prova evidente da criatividade do género humano. Por que não brincar com o mundo das palavras e descobrir que coelho pode ser rabbit, kuedju, lapin, desenvolvendo a curiosidade e a sensibilidade para os fenómenos linguísticos e preparando, assim, a aprendizagem futura de outras línguas?”.(Revista Noésis, n.º 51)