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O projecto
ValNet
Programa
Nónio Século XXI
GIASE/Ministério da Educação
O projecto ValNet, coordenado pela European Schoolnet e financiado pela CE no âmbito do ”Information Society Tecnologies Programme”, teve como objectivo validar cinco dos projectos de “Escolas do Futuro” (Schools of Tomorrow) seleccionadas pela CE: ITALES, 5D, ITCOLE, LoT e SEED . Cada um destes projectos de validação foi coordenado por um país parceiro da European SchoolNet. Em Portugal, coube ao ME/DAPP/GIASE, através do Programa Nónio Séc.XXI, coordenar o processo de validação do projecto ITCOLE - Innovative Tecnology for Collaborative Learning and Knowledge Building.
Neste projecto, uma plataforma informática de trabalho colaborativo denominada “Fle3” foi utilizada por dez escolas, de modo a fomentar a partilha e o trabalho colaborativo entre professores e alunos, utilizando, para o efeito, ferramentas de comunicação síncrona e assíncrona. O trabalho de experimentação e validação da referida plataforma foi levado a cabo pelo Centro de Competência Nónio da Univ. Minho em parceria com o Centro de Competência da Univ. Évora, envolvendo as seguintes escolas: E. B. 2,3 de Cabreiros, E. S. Alberto Sampaio, E. S. c 3 da Póvoa de Lanhoso, E. B.1 de S. Gonçalo – Amarante, E. B.1 de Vila do Conde, EPR do Alentejo, E. S. de Campo Maior, E. S. Poeta António Aleixo, E. S. Emídio Navarro, E. B.1 de S. Mamede.
As conclusões do relatório de validação final, elaborado pelo CCUMinho tendo em consideração não só os relatórios portugueses da responsabilidade dos CCUÉvora e CCUMinho mas também os relatos de experimentação semelhante levada a cabo na Hungria, Dinamarca e Holanda, serão divulgadas, logo que tal seja autorizado pela Schoolnet, no site do Programa Nónio.
Apesar do referido relatório ainda estar com a divulgação condicionada, é sempre possível referir o agrado dos intervenientes nesta experiência, em particular os alunos que se viram confrontados com tarefas de índole construtivista no sentido de alcançarem o conhecimento. Ressalta ainda o potencial formativo da atitude pedagógica proposta na utilização desta plataforma, em particular na educação cívica e de cidadania na medida em que os alunos foram(são) confrontados com a necessidade de entre ajuda e de respeito pelo trabalho de terceiros para conseguirem construir o seu próprio saber.
Conseguiu-se, portanto, levar a cabo, com êxito, uma experiência pedagógica que intrinsecamente coloca o enfoque na aprendizagem não descurando o ensino.
O sucesso da experiência incentivou os centros de competência referidos a alargar o contacto com a plataforma a mais docentes e, com esse efeito de contágio, é esperado que já no próximo ano lectivo (2004/2005) se possa contar com diversos professores a utilizar a Fle3 (Future Learning Environment).
A Fle3 é uma plataforma de aprendizagem baseada na Web ou, mais especificamente, uma aplicação servidora para aprendizagem colaborativa mediada por computador, (computer supported collaborative learning CSCL) que funciona em ambiente ZOPE, desenvolvida no âmbito do programa ITCOLE da Schoolnet, apoiado pela Comissão Europeia. A Fle3 atingiu um ponto de estabilidade e usabilidade testada em vários países, tornando-a passível de utilização mais alargada na Educação. Por outro lado, sendo software de código fonte aberto (open source) disponibilizado gratuitamente segundo regras GNU General Public Licence(GPL), permite que seja melhorada e adaptada a situações específicas.
É nesse sentido que o Centro de Competência Nónio da Universidade do Minho disponibiliza publicamente esta versão, ligeiramente modificada da Fle3.
(in: http://www.nonio.uminho.pt/kitfle/
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Criando
Criando Ambientes de Aprendizagem Flexíveis:
Utilizando a Fle3
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Centro de Competência Nónio Século XXI
Universidade do Minho
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Esquecemo-nos muitas vezes que usar computadores na educação é uma realidade há já mais de cinquenta anos. Na verdade, foi nos finais dos anos 50 do século passado que a Universidade de Illinois começou a testar o célebre programa Plato. A distância que nos separa desse software pioneiro é enorme, mas não devemos esquecer a história. O caminho percorrido no sentido de tornar as tecnologias emergentes como factor útil para a educação deve ser analisado porque nos dá lições interessantes.
Provavelmente, a mais curiosa é a qualidade demonstrada pelos computadores de se adaptarem com igual capacidade a concepções pedagógicas não só diversas mas mesmo opostas. Inicialmente o computador serviu a concepção behaviorista, aparecendo aos olhos de muitos como a máquina ideal para enformar o ensino programado tal como Skinner o concebera: ao apostar em situações de drill-and-practice, em simulações, em tutoriais, os programadores não faziam mais que aproveitar as potencialidades do computador para dar corpo a ideias basilares do behaviorismo. Hoje, o computador serve maravilhosamente para concretizar ideais construtivistas, podendo promover aprendizagens significativas que implicam a intervenção de pensamento complexo para construir conhecimento e não apenas adquiri-lo.
Não sendo dos que pensam que a finalidade da educação é a preparação para a vida, é inegável que toda a educação é situada no espaço e no tempo e deve tentar ser, também, suficientemente prospectiva para antecipar o futuro. Quando hoje qualquer pessoa pode aceder instantaneamente a milhões de bases de dados, e do mesmo modo comunicar com qualquer parte do mundo, parece sensato perguntar-nos como devem agir os sistemas educativos para bem cumprir a sua tarefa. Daí que pareça imprescindível que a investigação em educação centre grande parte do investimento possível no estudo de todas as condições necessárias para que a escola (que como instituição não creio que venha a ver posta em causa, mas que terá de alterar em muito a maneira como tem sido organizada) tenha um papel mais dominante na formação dos alunos que tutela tendo em vista essa nova realidade.
Entre estas, a concepção de sistemas integrados de aprendizagem (Integrated Learning Systems – ILS), surgida nos anos 90 e diligentemente continuada, será uma das mais promissoras, tendo em vista a contínua evolução técnica de hardware e software que tem acelerado de maneira quase inacreditável alterações no modo de vida das populações. Nos anos 90 do século XX consolidou-se uma ideia que desde então não cessou de se enriquecer: a de que os computadores podem ser suporte para aprendizagens colaborativas (Computer Supported Collaborative Learning – CSCL). Esta teoria conjuga concepções teóricas que a prática tem generosamente ajudado a firmar, como a ideia de que o conhecimento persistente é construído por quem aprende, e que aprendizagens partilhadas, isto é, obtidas a partir de situações em que a cooperação é valorizada, são mais eficazes.
A investigação desde há mais de duas décadas tem vindo a confirmar estes princípios. Um dos aspectos mais relevantes da investigação no campo da tecnologia aplicada à educação tem-se centrado no aperfeiçoamento de software que possa ser utilizado no processo de ensino-aprendizagem, permitindo simultaneamente melhores resultados com maior motivação por parte dos alunos.
As plataformas de aprendizagem são instrumentos que podem alcançar essa dupla finalidade. Ultimamente, tem sido aperfeiçoada uma plataforma, a Fle3 (Future Learning Environment), que foi criada no Learning Environments for Progressive Inquiry Research Group (UIAH Media Lab, University of Art and Design Helsinki) em colaboração com o Centre for Research on Networked Learning and Knowledge Building, Department of Psychology, University of Helsinki.
No âmbito do projecto Itcole (Innovative Technology for Collaborative Learning and Knowledge Building) da European Schoolnet, foi levada a efeito entre 2002 e 2004 a validação dessa plataforma, a qual foi experimentada em quatro países, Dinamarca, Holanda, Hungria e Portugal, pertencendo-nos a coordenação de todo o processo. Os resultados constam de um Relatório, que ainda não foi divulgado e mantém, por isso, o estatuto de confidencial. Sem quebra dessa confidencialidade, porém, pode dizer-se que a Fle3 é um instrumento apreciado e valorizado por alunos e professores, proporcionando um tipo de trabalho colaborativo (e este é um dos aspectos centrais da plataforma, que não é apropriada para aprendizagem individualizada) que gera a construção do próprio conhecimento. Inspirados na teorização de Carl Bereiter e Marlene Scardamalia (p. ex., Scardamalia & Bereiter, 1994), da Universidade de Toronto, no Canadá (Institute for Knowledge Innovation & Technology) os designers da Fle3 construíram-na para que possa proporcionar aos alunos a investigação progressiva, uma modalidade de aprendizagem apoiada nas ideias construtivistas.
A investigação progressiva (Progressive inquiry, em inglês) baseia-se
numa ideia de facilitar a mesma espécie de boas e produtivas
práticas de trabalho com o conhecimento – investigação
progressiva – que caracterizam as comunidades de investigação
científica em educação. Ao imitar as práticas das
comunidades de investigação científica, os estudantes são
encorajados a envolver-se em profundos processos de inquérito
determinados por uma cadeia de perguntas e explicações.
Consequentemente, um aspecto importante da investigação
progressiva é orientar os alunos para definirem as suas questões
de investigação e teorias provisórias (Leinonen et al.,
s.d.)
A estrutura da plataforma Fle3, muito fácil de instalar e de
gerir, permite que ela seja usada, de maneiras diferentes,
pelo chamado administrador do sistema, pelos
professores-tutores e pelos alunos, permitindo assim aos
primeiros algum controlo, necessário, sobre o processo de
aprendizagem. Basicamente, ela assenta em três instrumentos
visíveis para todos os utilizadores: o Webtop, o Knowledge
Building e o Jamming (termos ingleses) e em duas secções de
gestão limitadas a utilizadores com permissões
administrativas.
Na Fle3 os chamados WebTops podem ser usados por professores e
alunos para guardar diferentes elementos de estudo
(ficheiros/documentos, URL’s, atalhos internos e notas),
organizá-los e partilhá-los. Trata-se de um espaço algo
semelhante, em termos de filosofia e de funcionalidades, ao
Desktop dos computadores pessoais. O WebTop pode também
incluir uma "pasta comum" para cada curso, que é
actualizada automaticamente pelo sistema, possibilitando a
cada utilizador incluir aí qualquer documento de trabalho.
Na área designada por Knowledge Building (Construção de
Conhecimento) os grupos podem dialogar no sentido de construir
teoria e organizar debates, etiquetando as suas interacções
de acordo com as definições do modelo de trabalho associado
a cada tópico (designado na plataforma como Tipo de
Conhecimento). O conhecimento produzido é guardado em bases
de dados e exibido segundo critérios que o utilizador pode
definir no momento de consulta (data, tipologia da interacção,
em forma de diálogo ou por autor).
A grande versatilidade desta área torna-a ponto fulcral de
toda a plataforma de aprendizagem, permitindo que o Professor
(utilizador com permissões administrativas), defina ou crie o
modelo de interacção ou Tipo de Conhecimento para ser usado
no debate/estudo de cada tópico do curso/projecto, numa lista
previamente carregada na plataforma.
No Jamming (que se traduziu, livremente, por Espaço Ideias)
é possível a partilha de espaços para a construção
colaborativa de artefactos digitais (imagem, texto, áudio, vídeo).
Um grupo de estudo pode trabalhar em conjunto fazendo o upload
e download dos ficheiros disponibilizados pelos outros
participantes. Esta área de trabalho permite estabelecer duas
formas de trabalho: uma que leva à construção sequencial de
um documento, devendo o artefacto final traduzir uma evolução
linear do artefacto inicial e outra que leva à construção
de múltiplos artefactos (versões) de um artefacto inicial.
Em ambos os casos a plataforma traça um gráfico esquemático
do processo de produção e permite a adição de comentários
em cada ponto de evolução. A exploração desta característica
da Fle3 pode levar, por isso, à construção de um documento
conclusivo (processo linear) ou à exploração de
possibilidades (processo não-linear).
Pensamos que esta ferramenta constituirá, num futuro próximo,
um elemento de grande importância para o trabalho dos nossos
alunos nas escolas. A decisão de, neste próximo ano lectivo,
se avançar decididamente na consolidação da Fle3 em
Portugal, constituirá assim uma oportunidade que não deve
ser desperdiçada.
Referências
Leinonen, T., Mielonen, S., Pietarila, J., Kekkonen, I.,
Kligyte, G, & Toikkanen, T. (s.d.). How do I use Fle3 in
my study course? - Practical tips for teachers. (Documento
acedido em 16 de Agosto de 2004 em http://fle3.uiah.fi/)
Scardamalia, M., & Bereiter, C. (1994). Computer support
for knowledge-building communities. The Journal of the
Learning Sciences, 3(3), 265-283.
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