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Aprender e Ensinar:
Um dia no ano de 2020
Mestrado em Ciências da Educação Especialização em Informática Educacional
IEDU/IEFD - Universidade Católica Portuguesa
Dia 23 de Setembro de 2020. É o primeiro dia na escola para Lucas, que até aí apenas havia frequentado o Jardim-de-infância. Ir para a escola, tal como a sua irmã Clara, enchia-o de felicidade! Neste dia Lucas chegou com Clara, que se preparava para conhecer os novos colegas e começar a construir equipas para trabalhar com outras escolas. Provavelmente, já no final desta primeira semana, Clara iniciará as suas jornadas de estudo em casa, tal como os seus pares mais velhos, mas ainda é cedo para que Lucas as experimente, uma vez que são apenas para estudantes que já escrevam e leiam fluentemente na sua língua materna.
Lucas entra na sua sala de aula e é conduzido para um dos lugares vagos. No monitor da sua mesa cintilam as palavras “Bem-vindo Lucas”. Ele já conhecia estas palavras, a sua mãe já lhe havia ensinado o seu significado. O monitor estava embutido na secretária e protegido com um vidro acrílico amovível, o que Lucas considerou espantoso, uma vez que o seu próprio monitor plano, que possuía em sua casa, não se assemelhava àquele que iria utilizar na escola. Sobre uma gaveta de suporte encontrava-se um teclado sem fios e em cima da mesa um colorido rato esférico de grandes dimensões, igualmente sem fios, especialmente concebido para a utilização pela mão de uma criança. A sala possuía pequenas e confortáveis cadeiras de cores vivas, construídas num material sintético, desenhadas ergonomicamente para pequenos estudantes. Lucas observou junto às paredes computadores, em tudo semelhantes àquele que possuía em sua casa, mas com diversos dispositivos ligados, que ele não pôde identificar. Um olhar mais atento revelou que esses acessórios eram parecidos com alguns que os seus pais utilizavam em casa: pequenos objectos semelhantes a caixas, de diferentes formas, possuindo ecrãs e botões de diversos tamanhos, muitos objectos parecidos com tapetes de rato, mas excessivamente grandes para a utilização de apenas um rato. Outros dispositivos assemelhavam-se àqueles utilizados para comandar jogos, como joysticks de formas estranhas, possuindo botões na sua estrutura. Os teclados, aí colocados, eram bastante diferentes daqueles que se encontravam nas mesas de trabalho. Os monitores eram, também, diferentes, assemelhando-se a quadros pendurados na parede. Junto do monitor grande de parede, encontrava-se uma estante contendo muitos livros e ele sentia-se curioso a respeito de todos esses livros. Lucas sentia-se muito entusiasmado com a sua nova sala de aula.
A professora apresentou-se ao grupo e escreveu algo na superfície do seu monitor na secretária, que apareceu no monitor de parede, explicando que ali estava escrito o seu nome, que leu em voz alta para a classe. Em seguida, pediu a todos que se apresentassem e colocassem uma pergunta. Quando chegou à sua vez, Lucas perguntou “podemos jogar na Internet aqui na escola?”. As outras crianças riram e a professora respondeu “sim, iremos poder jogar na Web aqui na sala, mas também iremos aprender muito com ela!”.
A primeira aula seria para conhecer o que iriam aprender neste primeiro ano na escola. A professora perguntou à turma se alguém sabia o que é um software e todos colocaram o braço no ar. Um deles respondeu: “é uma coisa que faz coisas acontecerem no computador!”. “Muito bem, e aqui irá ensinar-nos a ler e escrever e também a descobrir e construir montes de coisas!”.
As tarefas para esta lição eram apenas para treinar a utilização dos equipamentos existentes na área de trabalho. Todos se empenharam na primeira tarefa, que consistia em identificar algumas imagens que apareciam no monitor. A professora deu a indicação do que era pretendido que se seleccionasse e cada aluno “clicou” nas respectivas imagens. Algumas crianças não estavam familiarizadas com aquele tipo de rato, bastante diferente daquele ao qual estavam habituadas. Os alunos foram encorajados pela professora a ajudar os parceiros com mais dificuldades. Concluída esta tarefa, iniciaram o treino da utilização da caneta electrónica, desenhando no monitor com a orientação da professora. A maior parte das crianças não sabiam manipular a caneta, mas Lucas já havia usado uma semelhante na área de trabalho do quarto da sua irmã. Ainda assim, a professora observou que não a segurava de forma correcta. A tarefa seguinte consistia em seleccionar cores para desenhar no monitor. A aplicação que corria na área de trabalho permitia desenhar no ecrã como se de uma folha de papel se tratasse e a escolha de cores era simples, bastando para tal tocar na zona de menu do monitor com a caneta. O grupo aprendeu, ainda, a mudar de folha em blocos de notas electrónicos e a abrir pastas contendo as actividades do dia. Junto ao monitor encontrava-se uma pequena folha de plástico branco e Lucas, impulsivamente, ligou-a. A folha mostrava uma espécie de filme com animais. A professora alertou o grupo para a existência daquela folha, avisando que ainda não era altura de a ligar.
Ao mesmo tempo, Clara discutia com a sua equipa o primeiro Projecto que iriam iniciar este ano lectivo, e distribuíam-se as tarefas entre os membros do grupo de trabalho. A professora expôs os objectivos e apresentou a avaliação para cada tarefa, integrada em actividades a desenvolver dentro de variadas áreas, nomeadamente, língua estrangeira, cidadania e legislação, biologia e física-química, tendo como base a resolução de problemas e
inquiry-based learning1 em ambiente colaborativo informatizado. Esclarecidos os aspectos formais do Projecto, a professora apresentou a primeira
Webquest2 a cada grupo e revelou que escolas iriam colaborar com cada grupo. Clara ficou satisfeita por saber que iria trabalhar com uma equipa espanhola, pois embora possua inúmeras amizades na Web, nenhum dos seus amigos é de Espanha. No ano anterior, quando iniciou o trabalho colaborativo externo, a sua turma teve a oportunidade de trabalhar com equipas de outra cidade. Este ano lectivo, uma vez que trabalhará, simultaneamente, uma língua estrangeira, poderá cooperar com alunos de países estrangeiros e está bastante entusiasmada com os novos projectos. De seguida, iniciaram a vídeo-conferência com as outras escolas e Clara pôde, finalmente, conhecer os seus parceiros. Depois das apresentações, acertaram alguns detalhes para trabalho-de-casa e combinaram prazos para cada tarefa.
O resto do dia passou rapidamente para os nossos jovens estudantes, trabalhando em diversas actividades com os seus colegas, sob a orientação das professoras. Ao final do dia, Clara e Lucas encontraram-se no hall do edifício mesmo a tempo para apanhar o autocarro que os levaria de volta para casa, ambos felizes por estarem na escola outra vez.
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