Revista Bimensal 
Edição 15 - Junho 06
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Os métodos de iniciação à leitura e escrita


 

 João Maria Oliveira

Professor do 1º CEB


Ainda hoje, já em pleno século XXI, não se chegou a um consenso sobre o melhor método de iniciação da leitura e escrita; é porque a coisa não deve ser fácil, dependendo duma infinidade de factores que influenciam o trabalho escolar. No entanto, os alunos lá vão aprendendo a ler e a escrever, através dos tempos, havendo até quem diga que “apesar dos professores”. Poderá então concluir-se que os alunos são o melhor que há no sistema educativo.

Todos os métodos que circulam pela nossa praça (e não só) têm prós e contras, como tudo na vida. O que importa é que cada professor, conhecendo-os todos e tendo espírito crítico, seja capaz, de acordo com a contextualização do meio, compor a sua mistura; como na gastronomia em que cada cozinheiro, sobre cada prato, vai criando e recriando. Mas pode ser arriscado pôr a coisa assim tão de singelo, podendo levar a supor que cada professor, isolado, pode muito bem inventar a sua “açorda”. As divulgações das experiências de cada um, no plano horizontal, é muito importante; e sem elas, poderão as ESEs e os CIFOPs chamar a elas todos os profissionais ou irem elas às escolas divulgar mais conceitos teóricos importantes porque o que falta é o relato de vivência práticas. Voltando à comparação com a cozinha, o que faz falta é organizarem-se “festivais de gastronomia” em que cada um, criando e recriando sobre o conhecido, apresente a sua nova “açorda”.

Costuma-se dizer que “de médico e de louco todos temos um pouco”; e eu acrescentar-lhe-ia de “professor” do 1º ciclo. Não há quem não dê sentenças metodológicas; são os pais, são os psicólogos, são os psiquiatras, são os médicos, são os sociólogos, enfim. Não é que não seja importante o que todos dizem; o que dificulta é que o fazem em situação de “capelinhas”. Juntemo-nos todos e discutamos o assunto que havemos de chegar a bom “porto”.

Uns defendem o Método Global que tendo a vantagem de se mostrar coerente nos textos e de criar uma previsão de leitura pelo sentido, tem a desvantagem de não fazer a análise das mais pequenas partes.

Para melhorar a compreensão dos textos há quem defenda o Método Natural que explora mais as contextualizações, mantendo os inconvenientes.

Ainda se pratica muito o Método Analítico Sintético, mas tem o inconveniente de fazer a síntese muito em cima da análise, não se praticando previamente a globalização que facilitaria a previsão de leitura a caminho da fluência.

Mais antigo mas ainda usado existe o Método Sintético que parte sempre do B A BA, não sendo para a criança compreensível essas coisas dos Bs e dos As e muito menos um B com um A dará Bá, porque sendo o B uma consoante ela só tem significado sonoro “consoante a vogal que se lhe junta; antes só tem nome que não valor.

O Método de João de Deus, sendo muito engenhoso e muito bem estudado e estruturado pelo seu autor, não foge aos inconvenientes dos métodos sintéticos, ainda que se baseie mais num silabário em prejuízo do abecedário;

Mais modernamente foi divulgado o Método das 23 palavras que me parece muito da natureza do Método João de Deus por usar muito um silabário que se vai constituindo, não fugindo às desvantagens dos sintéticos.

No entanto há pessoas que foram leccionadas por todos estes métodos, achando cada uma que foi o melhor. Mas nós sabemos que o melhor é o que cria mais gosto pela leitura, evitando dramas e traumas.

Eu por mim, partindo do Método Global, fui aproveitando o que de melhor me pareceu em cada um, pus alguma coisa de meu e constituí a minha base de trabalho também para englobar uma aluna surda-muda profunda. Baptizei-o de Global’eu por partir do Global, passando pelos outros e adicionando alguma coisa de “eu”. Dispus-me a divulgá-lo e parti pelas Escolas, Centros de Formação e ESEs que me solicitaram, levando sempre os alunos, não fosse alguém dizer que aquilo era “música de ouvido”. Hoje, já aposentado e não tendo alunos, coloquei o Método Global’eu num “site” da Internet http://matematica-leitura.planetaclix.pt a fim de poder ser conhecido e eventualmente aproveitado por quem assim o entender. E sujeitar-me de bom grado às eventuais e bem vindas críticas construtivas que nos fazem crescer.

 

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