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Os métodos de
iniciação à leitura e escrita
João
Maria Oliveira
Professor do 1º CEB
Ainda hoje, já em pleno século
XXI, não se chegou a um consenso sobre o melhor método de
iniciação da leitura e escrita; é porque a coisa não deve
ser fácil, dependendo duma infinidade de factores que
influenciam o trabalho escolar. No entanto, os alunos lá vão
aprendendo a ler e a escrever, através dos tempos, havendo
até quem diga que “apesar dos professores”. Poderá então
concluir-se que os alunos são o melhor que há no sistema
educativo.
Todos os métodos que circulam pela nossa praça (e não
só) têm prós e contras, como tudo na vida. O que importa é
que cada professor, conhecendo-os todos e tendo espírito
crítico, seja capaz, de acordo com a contextualização do
meio, compor a sua mistura; como na gastronomia em que cada
cozinheiro, sobre cada prato, vai criando e recriando. Mas
pode ser arriscado pôr a coisa assim tão de singelo, podendo
levar a supor que cada professor, isolado, pode muito bem
inventar a sua “açorda”. As divulgações das experiências de
cada um, no plano horizontal, é muito importante; e sem
elas, poderão as ESEs e os CIFOPs chamar a elas todos os
profissionais ou irem elas às escolas divulgar mais
conceitos teóricos importantes porque o que falta é o relato
de vivência práticas. Voltando à comparação com a cozinha, o
que faz falta é organizarem-se “festivais de gastronomia” em
que cada um, criando e recriando sobre o conhecido,
apresente a sua nova “açorda”.
Costuma-se dizer que “de médico e de louco todos
temos um pouco”; e eu acrescentar-lhe-ia de “professor” do
1º ciclo. Não há quem não dê sentenças metodológicas; são os
pais, são os psicólogos, são os psiquiatras, são os médicos,
são os sociólogos, enfim. Não é que não seja importante o
que todos dizem; o que dificulta é que o fazem em situação
de “capelinhas”. Juntemo-nos todos e discutamos o assunto
que havemos de chegar a bom “porto”.
Uns defendem o Método Global que tendo a vantagem de
se mostrar coerente nos textos e de criar uma previsão de
leitura pelo sentido, tem a desvantagem de não fazer a
análise das mais pequenas partes.
Para melhorar a compreensão dos textos há quem
defenda o Método Natural que explora mais as
contextualizações, mantendo os inconvenientes.
Ainda se pratica muito o Método Analítico Sintético,
mas tem o inconveniente de fazer a síntese muito em cima da
análise, não se praticando previamente a globalização que
facilitaria a previsão de leitura a caminho da fluência.
Mais antigo mas ainda usado existe o Método Sintético
que parte sempre do B A BA, não sendo para a criança
compreensível essas coisas dos Bs e dos As e muito menos um
B com um A dará Bá, porque sendo o B uma consoante ela só
tem significado sonoro “consoante a vogal que se lhe junta;
antes só tem nome que não valor.
O Método de João de Deus, sendo muito engenhoso e
muito bem estudado e estruturado pelo seu autor, não foge
aos inconvenientes dos métodos sintéticos, ainda que se
baseie mais num silabário em prejuízo do abecedário;
Mais modernamente foi divulgado o Método das 23
palavras que me parece muito da natureza do Método João de
Deus por usar muito um silabário que se vai constituindo,
não fugindo às desvantagens dos sintéticos.
No entanto há pessoas que foram leccionadas por todos
estes métodos, achando cada uma que foi o melhor. Mas nós
sabemos que o melhor é o que cria mais gosto pela leitura,
evitando dramas e traumas.
Eu por mim, partindo do Método Global, fui
aproveitando o que de melhor me pareceu em cada um, pus
alguma coisa de meu e constituí a minha base de trabalho
também para englobar uma aluna surda-muda profunda.
Baptizei-o de Global’eu por partir do Global, passando pelos
outros e adicionando alguma coisa de “eu”. Dispus-me a
divulgá-lo e parti pelas Escolas, Centros de Formação e ESEs
que me solicitaram, levando sempre os alunos, não fosse
alguém dizer que aquilo era “música de ouvido”. Hoje, já
aposentado e não tendo alunos, coloquei o Método Global’eu
num “site” da Internet
http://matematica-leitura.planetaclix.pt a fim de poder
ser conhecido e eventualmente aproveitado por quem assim o
entender. E sujeitar-me de bom grado às eventuais e bem
vindas críticas construtivas que nos fazem crescer.
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