Tudo começou com um estágio no ano 2000… quis o
destino que fizesse o estágio na área de Formação de
Professores do Curso de Licenciatura em Ciências da
Educação no Centro de Formação de Associação de Escolas
de Almada Ocidental – PROFORMAR e do estágio ao desafio
para mediar um Curso EFA foi um pequeno passo que me
transportou para um novo mundo de emoções e aprendizagens,
mundo esse que tomou a dimensão de universo quando em Maio de
2002 iniciei as funções de Profissional de RVCC no então
CRVCC PROFORMAR. Este caminho de enriquecimento humano e
profissional percorrido até hoje, só se concretizou graças
a quem me lançou o desafio da educação e formação de
adultos e me fez acreditar num projecto, acima de tudo numa
missão, graças a quem nunca vi cruzar os braços, mas pelo
contrário se bate por uma cruzada, tantas vezes amarga, mas
com um empenho, audácia e coragem impares, tal como o homem
do leme perante o Adamastor, a Directora no CFAE e do CRVCC
PROFORMAR.
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Ser profissional de RVCC é viver diariamente o
nascimento de um livro, porque cada adulto que acompanho é um
manancial de aprendizagens, vivências e emoções que vão
preenchendo cada página em branco de cada novo dia que passa.
Esta missão não é mais do que estar ao serviço de…
acompanhar, orientar, ouvir o adulto que chega amargurado,
expectante ou ansioso por uma nova oportunidade que a vida em
tempos lhe roubou ou lhe fugiu.
É extremamente gratificante, após o trabalho de
equipa com todas as colegas, coordenação e demais
formadores/colaboradores e avaliadores externos ver sair do
Centro rostos que, após se terem submetido a um processo que
valoriza os saberes adquiridos ao longo da vida, com recurso
à formação completar ou não, sorriem, se sentem
vencedores, se sentem mais completos porque já têm um
certificado e se sentem mais capazes de continuar a sua luta
por um lugar mais justo e digno na sociedade.
Como profissionais de RVCC, cabe-nos a nós o primeiro momento
com o novo candidato que deseja concluir a escolaridade
obrigatória. Este acolhimento é essencial ao processo. O
adulto chega, muitas vezes, timidamente, sem saber muito bem
qual a finalidade exacta dos Centros de Reconhecimento Validação
e Certificação de Competências. Tem apenas uma certeza –
concluir um sonho que foi interrompido subitamente, por
motivos de força maior. No entanto, este adulto, desconhece
que ao longo da sua vida, através das diversas experiências
profissionais que encarou, foi adquirindo conhecimentos
não-formais,
nomeadamente saberes que resultam de várias experiências
(saber, saber-fazer, saber-ser, e saber-estar). Nós,
profissionais de RVCC e formadores, vamos valorizar estes
conhecimentos, numa abordagem da sua História de Vida e do
Balanço de Competências, o que permitirá ao adulto
descobrir as suas próprias potencialidades, tanto a nível
pessoal como profissional, contribuindo para a construção do
seu projecto de vida.
A abordagem da História de Vida é feita através dos
vários instrumentos (propostos pela DGFV) que o adulto vai
preenchendo, com o nosso apoio, recuperando as suas vivências
pessoais, familiares, sociais e profissionais identificando
competências esquecidas ou que nunca foram valorizadas.
Conclui-se a elaboração do seu Dossier Pessoal, um valioso
instrumento de auto-formação e auto-avaliação.
Importa referir que esta necessária reactualização
de experiências, pode provocar no adulto o reviver de fortes
emoções, aumentando a confiança e alegria do regresso à
escola. O seu grande objectivo de vida é novamente concluir o
que ficou interrompido no passado. Tudo isto é partilhado
connosco, para nossa satisfação. Vemos em cada adulto uma
nova possibilidade, desde o primeiro momento, semeamos esperanças
e tentamos acarinhar o sonho de alguém que se quer realizar.
Esta intensa tarefa termina no Dia de Júri, quando finalmente
se confirmam todos os saberes revelados ao longo do processo.
A nossa função cessa quando os formandos nos confessam
emocionados que valeu o esforço.
A todos eles os meus parabéns, pois são a nossa
inspiração e um exemplo para várias gerações. Como diz o
poeta, “Tudo Vale a pena, quando a alma não é
pequena”.
Em Outubro de 2003 iniciei a minha participação, como voluntária, no Centro de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (CRVCC). Propus-me, durante alguns meses a apoiar na área da Matemática, um grupo de adultos que pretende
certificar o 9º ano.
Tem sido uma experiência totalmente nova para mim, uma vez que nunca
tinha trabalhado com adultos. É bastante gratificante, pois não se resume à transmissão de conhecimentos matemáticos, mas passa
sobretudo pela troca de experiências e por um sentimento de entreajuda por parte de todos os intervenientes.
Ficarão, de certo, laços de amizade entre mim e aquelas pessoas com as quais tenho passado várias horas ao longo dos últimos meses.
A par desta actividade, tive a oportunidade (há cerca de um mês) de integrar a equipa do Centro, como profissional de RVCC. Estou, neste momento, a orientar o processo de formação dos adultos.
Apesar de ser há relativamente pouco tempo, acredito que será uma experiência enriquecedora, não só pelo que já aprendi e por muito que terei para aprender, mas pelo facto de sentir que estou a contribuir para a concretização de um sonho que move muitas pessoas a este Centro, na procura de uma vida
melhor, da sua realização pessoal e profissional.
Em Maio de 2002, entrei como Profissional de RVCC para o Centro de Reconhecimento, Validação e Certificação Almada Proformar, na Escola Secundária da Sobreda, onde me deparei com o desafio de trabalhar no âmbito da Educação e Formação de Adultos.
Este era um contexto algo distante até então, no meu pequeno percurso como Psicóloga, mas mesmo assim a Professora Adelaide Silva e a Professora Odete Alexandre, abriram-me esta porta, acreditaram que eu seria capaz.
Acolheram-me de braços abertos e um sentimento acompanhou-me sempre nesta viagem de permanente descoberta, eu estava em casa.
O desafio de construir a base do processo de RVCC foi conseguido em equipa, inicialmente, em conjunto com a minha colega e amiga Dra Júlia Bentes. Mas a equipa só ficou realmente constituída com a chegada da Dra Celina Fernandes, cujo riso foi precioso para colorir os momentos mais difíceis e, igualmente, com a integração dos Formadores. A Professora Luísa Ferreira, o Professor José Oliveira, a Professora Silvia Faim e a Professora Maria José são alguns dos Formadores que têm desempenhado um papel fundamental em todo o Processo de RVCC.
A prioridade do nosso trabalho sempre se centrou nos adultos que até a nós se dirigiam e que não possuíam a escolaridade obrigatória (9º ano) e com os quais me enriqueci. As histórias de vida que me foram confiadas continham saberes encobertos, não explorados e experiências não valorizadas, tendo sido fascinante, como Profissional de RVCC, ter contribuído para que as potencialidades de cada adulto tenham emergido e se multiplicado.
O Júri de Validação e Certificação, onde tanto aprendi com os Avaliadores Externos, constituí o momento mágico do Processo de RVCC, onde o adulto através do seu Dossiê pessoal, designado frequentemente como um tesouro, um livro de vida, mostra o trabalho realizado e o seu percurso. Neste momento, sonhos se tornam realidade e o adulto acredita que realmente foi capaz, desejando muitas vezes ir mais longe, alcançar um futuro melhor após a obtenção da Certificação.
Atribuir vida e manter este processo com a Alma que o caracteriza, com o rigor e qualidade que o CRVCC de Almada sempre exigiu, tem como base o trabalho em equipa com a qual aprendi que é possível
fazer-acontecer.
Actualmente, a minha história de vida transportou-me para outro caminho, mas o respeito pelos adultos que tive a oportunidade de acompanhar e a admiração e o carinho por toda a equipa do Centro RVCC e da Proformar perdurará para sempre.
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