“…Cá vamos
ANDANDO…”, como se diz nas nossas terras. O gerúndio do verbo andar, aplica-se plenamente aquilo que tem sido o nosso percurso desde 2001.
Fomos pioneiros. Fizemos parte dos seis centros experimentais que abriram caminho à rede nacional que hoje conhecemos. Tempos de angústias e dúvidas, sem certezas e com poucas referências mas, simultaneamente, de desafios aliciantes. Assumimos o projecto e cá estamos, num pequeno espaço cedido através de um protocolo com a Câmara Municipal de Ferreira do Alentejo, mas que estendeu a sua acção durante muito tempo a todo o Baixo-Alentejo. Felizmente já temos a companhia de mais dois CRVCC's, em Serpa e Santiago do Cacém. Bem-vindos.
Existimos numa região frequentemente esquecida. Planície de passagem entre o Tejo e o Algarve, muitas vezes só observada e pensada a partir da frieza distante da auto-estrada ou de gabinetes no centro de Lisboa… o alentejano, debaixo do “chaparro”, à espera que a sorte e o vento mudem…as casinhas brancas de barras azuis…tão lindas…os capotes…as ovelhas… as açordas… e as touradas de morte em Barrancos…estereótipos, que pouco traduzem aquilo que é hoje o Alentejo, menos ainda o que queremos que seja no futuro.
Assumimos, no entanto, as nossas peculiaridades, elas valorizam-nos. Orgulhamo-nos da nossa herança cultural, queremos partilhá-la e potenciá-la como factor de desenvolvimento. O CRVCC da Esdime é, portanto, um produto e uma consequência desta ambição.
A consciência do colectivo mobiliza-nos. Simultaneamente, existem as pessoas que nos procuram, a sua individualidade. Uns vem de longe, porque o Alentejo é grande, outros nem tanto, mas todos com objectivos comuns, o desbravar de novos caminhos e a procura de novos projectos de vida.
A dinâmica existe e está bem viva, perto de 1600 inscritos e 600 certificados em 2 anos e meio de actividades. Tantos rostos, tantas vidas, vividas através de percursos mais ou menos surpreendentes, expostas sem reservas numa dialéctica em que a confiança é a pedra basilar de um processo em constante mutação, adaptação e reavaliação, porque nós também aprendemos, todos os dias.
Não pretendemos, no entanto, traçar cenários cor-de-rosa, pelo contrário, vivemos um contentamento descontente. Preocupa-nos a consolidação da rede de CRVCC's num contexto pós 3º Quadro Comunitário de Apoio, preocupa-nos a sustentabilidade futura dos mesmos numa região com as características sócio-económicas da nossa, não estamos satisfeitos com a relação entre recursos e metas estabelecidas, entre outros. No fundo, por sabermos da nossa importância, queremos continuar a existir.
Mas, não estamos debaixo do “chaparro” à espera que a sorte e o vento mudem, estamos ANDANDO…
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