Revista Bimensal 
Edição 4 - Maio 04
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proFORM R
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WEBQUESTS? AVENTURAS NA NET?


Maria da Luz Vieira
 Formadora do Proformar, Profª 
da EB 2/3 Monte de Caparica


“Usar competências de localização de informação, ainda que essencial para uma utilização com sucesso de recursos informativos é, no entanto, apenas uma pequena parte daquilo que devemos esperar quando pedimos aos alunos para fazerem pesquisa na Internet. 
Por favor, considerem esta analogia. Numa bem fornecida biblioteca, a aprendizagem pode seguramente acontecer. E, no entanto, não é o facto de se encontrar o livro, o vídeo, a fotografia ou a faixa musical que constitui o acontecimento da aprendizagem. 
O que o visitante faz com a informação que localizou é que determina se acontece aprendizagem.
Fazer pesquisa na Internet por si só, para além da construção de pré-requisitos de localização de informação, não vale a pena.
Se os estudantes podem fazer algo “offline” tão bem ou melhor que “online” então não existe razão para que, nessa situação, a pesquisa seja feita na Internet.”
Harris, Judi (1998). Telecommunications-Mining the Internet: Educational Teleresearch, A Means, Not an End. Learning & Leading with Technology, 26/3, 42-46.


INTERNET? O QUE FAZER COM ELA?

A utilização da Internet como recurso educativo tem-se revelado pertinente, útil e motivador. No entanto a maior parte da utilização que é dada a este recurso passa essencialmente por pesquisas pouco orientadas, raramente validadas, em que os alunos se limitam, muitas vezes a fazer “Copiar”/”Colar”, sem haver qualquer assimilação ou transformação de conhecimento.
Será que, assim, a utilização da Internet traz qualquer mais valia ao processo educativo?

WEBQUESTS? AVENTURAS NA NET?

O conceito de WebQuest surgiu em 1995, nos Estados Unidos, pela mão de Bernie Dodge, professor de Educational Technology na San Diego State University. Visa essencialmente uma utilização organizada e orientada dos recursos existentes na Internet, mais especificamente da WWW.

Uma WebQuest é, assim, uma actividade de pesquisa orientada em que uma grande parte ou a totalidade da informação com a qual os alunos interagem provém de recursos da INternet, que resulta num produto em que existe transformação da informação.

TIPOS DE WEBQUESTS

As Webquests organizam-se em torno de tarefas que o aluno deve cumprir. Estas podem ser de vários tipos, permitindo abordagens muito diferentes:


 

COMPETÊNCIAS QUE AS WEBQUESTS PERMITEM DESENVOLVER

As Aventuras na Net podem ser situações de aprendizagem muito motivantes, porque o aluno se envolve, porque tem um percurso próprio de desenvolvimento em que aplica um saber a uma situação que, não sendo a realidade, a simula. 

Por isso permitem o desenvolvimento e a verificação da aquisição de competências como: 

  • Métodos de trabalho e de estudo: participar em actividades e aprendizagens, individuais e colectivas, de acordo com regras estabelecidas.

  • Tratamento de informação: pesquisar, organizar, tratar e produzir informação em função das necessidades, problemas a resolver e dos contextos e situações.

  • Comunicação: resolver dificuldades ou enriquecer a comunicação através da comunicação não verbal com aplicação das técnicas e dos códigos apropriados.

  • Relacionamento interpessoal e de grupo: conhecer e actuar de acordo com as normas, regras e critérios de actuação pertinente, de convivência, trabalho, de responsabilização.


COMO SE ORGANIZA?

Uma WebQuest organiza-se segundo 6 passos básicos:

INTRODUÇÃO 

  • Define o cenário e fornece alguma informação de fundo, orientando o aluno para o que irá fazer. 

  • Deve despertar o interesse do aluno através de uma variedade de meios tornando o tópico:

    • relevante para as experiências anteriores dos alunos e para o seu futuro
      importante pelas suas implicações

    • urgente, pela necessidade de arranjar uma solução num curto espaço de tempo 
      divertida (pelos papéis desempenhados, pelo produto a criar, ...)

TAREFA

  • Deve fazer uma descrição daquilo que o aluno deverá ter realizado no final do trabalho

  • Deve ser exequível e interessante

  • Pode ser um produto ou uma apresentação verbal que passe por:

    • resolução de problemas

    • participação em debates/discussões temáticas

    • simulação de papéis

    • criação de produtos

    • Planeamento/organização de uma acção (viagens, seminários, etc.)

    • ...

PROCESSO

  • Descreve claramente os passos necessários à execução da tarefa

  • Mostra ao aluno o caminho que tem que percorrer para completar a tarefa. 

  • Pode incluir:

    • a divisão da tarefa em subtarefas

    • a descrição dos papéis a serem desempenhados

    • perspectivas a serem desenvolvidas

    • Pode ainda incluir conselhos sobre a aprendizagem ou sobre relações inter-pessoais (ex: como conduzir um brainstorming)

    • A descrição deve ser curta e clara

RECURSOS

  • Uma lista de sítios ou páginas da Internet que o professor localizou para ajudar o aluno a desenvolver o trabalho

  • Deve também incluir recursos que não estão on-line.

  • Os recursos apresentados podem não ser utilizados na íntegra por todos os alunos

  • Podem estar integrados no processo


AVALIAÇÃO

  • O aluno deve saber exactamente o que se espera que faça e qual o grau de envolvimento e desenvolvimento.

  • A avaliação deve ser um processo de tomada de consciência daquilo que realizou, o que correu bem, o que não conseguiu, etc.

  • Referência a formas de avaliação (grelhas, questionários, ...)

CONCLUSÃO

  • Finaliza a aventura

  • Recorda o que o aluno aprendeu

  • Encoraja a aplicação da experiência a outras situações

Existem na Internet bastantes Webquests. Apesar da maioria ser em língua inglesa já aparecem algumas em português. 
Pode procurar em:

http://webquest.sdsu.edu

http://www.ese.ips.pt/abolina/rota/index.html

http://www.minerva.uevora.pt/subm03_3.htm

http://www.eb23-monte-caparica.rcts.pt/formacao.htm