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Back to basics!!
Formador do Proformar, Prof.
da Esc. Sec. Emídio Navarro
Nos últimos anos temos assistido à entrada da Internet nas escolas, ao uso cada vez mais frequente das aplicações de
office para apresentação de trabalhos dos alunos e mesmo à produção de materiais gráficos (fotografia e vídeo) com aplicações específicas de edição e tratamento de imagem. Se juntarmos a isto a produção de jornal, vemos que as ideias dos pioneiros dos primeiros tempos do MINERVA (lembram-se dos Spectrum, das primeiras redes, das BBSs com modems a 2400bps), respigadas na experiência já existente noutros países, é hoje uma realidade forte no dia-a-dia das escolas. Contudo, deixem-me lembrar que falta qualquer coisa.
De facto algumas vertentes mais promissoras da disseminação e do aumento de capacidade dos computadores, como são os casos da aquisição e tratamento de dados em ciências experimentais e a robótica educativa, nas suas vertentes tecnológica e de aprendizagem da lógica e da programação, têm hoje uma presença diminuta nas escolas portuguesas. E isto, ao contrário do que se passa noutros países da nossa área económico-política, como é o caso do Reino Unido. Se verificarmos a oferta de formação dos Centros de Formação podemos confirmar essa impressão. Continua a centrar-se a formação contínua no domínio de aplicações
office, alicerçada na aquisição de competências técnicas necessárias ao domínio do
software e minimizando o estudo das condições de utilização, das metodologias e do debate das vantagens da sua utilização. De resto, o uso da Internet como uma Tecnologia Educativa esbarra com a pouca preparação dos professores, não nas competências técnicas para o uso de um
browser, mas sim, na falta de discussão sobre a metodologia de pesquisa, a crítica à veracidade e qualidade do material recolhido. Pior do que isso, reproduz-se um velho método de não preparar listas de sítios prévia e devidamente estudados para fornecer aos alunos como “bibliografia básica”. Mesmo alguns autores de livros escolares se dão à falta de profissionalismo de citar locais na Web inexistentes ou de pouca relevância para o assunto em causa.
E que dizer das aplicações dos computadores no ensino da ciência e tecnologia? Quantos professores de disciplinas experimentais utilizam sistemas de aquisição de dados apoiados por computador (data-logging)? Quantos sabem mesmo o que isso é ou já o utilizaram pelo menos uma vez na vida?
Bem, deixemo-nos de ser pessimistas, pelo menos, somos os melhores em futebol e fado!!
Por falar em futebol, sabem que existe uma organização chamada Robocup que promove no mundo inteiro competições onde jovens podem construir pequenos robôs autónomos, capazes de jogar futebol, dançar ou mesmo efectuar busca e salvamento? Este ano, no final de Junho estão em Portugal no parque das Nações – é o
Robocup2004.
Bem, cá está um excelente aproveitamento da “dinâmica” do futebol para actividades mais elaboradas.
Mas vamos lá a saber o que tem isto a ver com TICs?
Na sociedade actual já não faz sentido ter medo de robôs humanóides que invadem a Terra, ou num futuro de escravos robôs que se rebelam contra os seus senhores!!
Eles já cá estão, convivem connosco e, estão mesmo cada vez mais “dentro de nós”. Não se trata de “aliens” mas da cada vez maior importância que os dispositivos protéticos inteligentes têm na melhoria da qualidade de vida de todos nós. Para ter uma visão mais completa desta questão basta ler o excelente livro
“Robot: The Future of Flesh and Machines” do famoso professor
Rodney Brooks (em boa hora disponível na Fnac, passe a publicidade).
No mesmo sentido, a invasão de pequenos dispositivos electrónicos – os microcontroladores – nas nossas vidas é impressionante. Atente-se a que eles controlam hoje esquentadores, microondas, máquinas de lavar, aquecimentos e ar condicionado, sistemas de segurança, os diferentes dispositivos dos nosso carro, dos travões, ao air-bag, os telemóveis, televisões e outros equipamentos de hi-fi, para não falar das já esperadas aplicações nos computadores, do rato ao teclado, uffa!! Isto é, estamos rodeados de centenas deles!!
Longe vão os tempos em que alguns de nós procuravam tirar partido das “tartarugas de solo”, do Logo, lembram-se de um tal
Seymour Pappert??
Ora, alguns, perceberam que Novas Tecnologias, não eram só computadores e aplicações
office, como é o caso do sistema educativo do Reino
Unido, que inseriu no currículo escolar de todos os alunos o uso de microntroladores e o estudo de automatismos de uso corrente, programáveis em linguagens como o BASIC, ou por fluxogramas. Veja-se e espante-se o papel que microcontroladores como o
PICAXE, vendido a preços baixíssimos, sem necessidade de programadores e com software gratuito pode fazer pelas tecnologias, nas escolas. Em Portugal, os decisores políticos, repescaram um programa velho do museu da
Microsoft-Intel, para, com alardes de modernidade, criar uma disciplina obrigatória de TIC. É claramente pouco e mau.
Deixem-me voltar à Robótica, essa área multi-disciplinar, que envolve a mecânica, a electrónica, a informática, a biologia, etc. e porque não a ficção – que bela a “Guerra dos Mundos”, de Orson Wells, todas as histórias de Asimov, etc.
Este ano lectivo o Clube de Robótica da Emídio Navarro, conseguiu mobilizar cerca de cinquenta alunos para a construção de robôs móveis autónomos, dotados de microcontroladores programáveis em BASIC, totalmente construídos pelos alunos. É pouco, é muito?? Apenas se mostra que é possível e aliciante para os alunos. São áreas transversais como esta que fazem falta ao sistema.
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