Revista Bimensal 
Edição 16 - Outubro 06
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Língua Portuguesa e TIC

Projectos e Actividades para Desenvolver Competências

 

Relato de uma Acção de Formação
 


Maria da Luz Baldaia Paim Vieira
Sílvia Maria Loureiro Faim

Prof. da EB 2/3 Monte de Caparica, Almada
Formadoras do Centro Proformar



O presente artigo tem como finalidade relatar uma experiência de formação relacionada com o ensino-aprendizagem da Língua Portuguesa com recurso às TIC.

Todos estamos habituados a ouvir dizer que os alunos não sabem escrever, escrevem cada vez pior, não sabem fazer um trabalho de pesquisa, limitando-se a consultar a Internet e a fazer copy/paste… As razões pelas quais os alunos não têm competências ao nível da escrita são várias, mas independentemente das causas, pensamos nós, cabe à Escola promover situações que permitam aos alunos desenvolver competências de escrita e de leitura.

Ora, sendo a Escola uma instituição da escrita e da leitura, estas devem ou deveriam ocupar um lugar de destaque nas aulas de Língua Portuguesa.

É indiscutível que a prática da escrita organiza e desenvolve o pensamento, acelera as aquisições linguísticas, permite ler melhor e aprender mais. É, igualmente, indiscutível que a escola é fundamentalmente uma instituição da escrita, uma vez que quase toda a avaliação se faz, precisamente, através da escrita. Neste sentido, é imperioso que se ensine a escrever, mas que se ensine a escrever de forma sistemática e instrumentada, para que os alunos possam, de forma autónoma e criativa, usar a Língua Portuguesa, quer no domínio da recepção quer no domínio da produção.

Partindo deste pressuposto, o tema da Acção de Formação surgiu depois de termos constatado que faltavam aos alunos dos diferentes níveis de ensino conhecimentos sobre a língua e o seu funcionamento, faltavam-lhes competências de leitura e escrita. Mas, por outro lado, constatámos, também, que os alunos gostam muito de trabalhar com as TIC. Então pensámos que podíamos aliar as duas realidades.

Assim, tendo por base a necessidade de desenvolver nos alunos as competências de leitura e escrita, com a Acção de Formação, pretendia-se que os formandos:

  1. reflectissem sobre a importância da Língua Portuguesa como língua de comunicação, que os alunos devem saber utilizar em diversos contextos;
     

  2. pensassem e desenvolvessem actividades com os seus alunos que permitissem a aquisição de competências tanto a nível da Língua Portuguesa como da utilização do computador.

Para atingirmos estes objectivos, procurámos propor actividades que:

  1. permitissem ao professor diversificar as situações de escrita (individual e em grupo) e o tipo de escritos;

  2. favorecessem a socialização das produções escritas produzidas (os alunos adoram ler os seus textos, gostam de os partilhar, de os dar a conhecer) ;

  3. permitissem trabalhar a reescrita e o aperfeiçoamento de textos dos alunos numa perspectiva de aprendizagem em colaboração;
    articulassem a avaliação formativa e sumativa.

Deste modo, como ponto de partida para o trabalho a realizar, apresentamos três propostas: - O jornal de turma/ Escola/ Agrupamento; o livro da turma e a página Web da Turma para integração no sítio da Escola, que contribuem para o desenvolvimento das competências em Língua Portuguesa.

Apresentadas as sugestões, os formandos listaram algumas actividades e competências que poderiam ser desenvolvidas com os trabalhos propostos. Seguidamente, e tendo em conta que todo o professor deve praticar os escritos que propõe ao seus alunos, realizaram eles próprios as três propostas apresentadas. Por fim, foi-lhes, então, pedido o trabalho final que consistia no desenvolvimento de uma das três sugestões com os alunos, em situação de aula, recorrendo aos recursos informáticos disponíveis na escola e adequados à realidade educativa.

Em forma de conclusão, pudemos deduzir que esta formação contribuiu, além de um saudável convívio e conhecimento de pessoas que são professores de um mesmo grupo de alunos (em diferentes idades) e pertencem ao mesmo agrupamento de Escolas, para uma atitude diferente face ao trabalho com os computadores, que se traduz por uma maior compreensão das potencialidades da utilização do computador em situação de aula, produzindo materiais com os seus alunos.

Foi, igualmente, possível ver que a produção das sugestões de trabalho permitiu aos formandos percepcionar a sua utilização com os seus alunos de forma a contribuir para o desenvolvimento das competências de Língua Portuguesa.

Patente foi, também, a compreensão de que a utilização da Internet pelos alunos pode e deve ser orientada, principalmente quando se querem obter resultados palpáveis e organizados, e trabalhos produzidos pelos alunos que não passem por copiar e colar o que encontram na Internet.

Deste modo, podemos dizer que é muito importante generalizar a utilização do computador na escola, e na sala de aula, como um recurso que permite o desenvolvimento das competências essenciais de escrita e leitura.