Redigir um artigo no âmbito da inclusão, apresenta a vantagem de permitir direccionar a temática para variadíssimos percursos.
Podemos escrever, com uma redacção relativamente inócua e vocabulário rebuscado, algo relacionado com a pedagogia, a didáctica ou contextos educativos adequados, dirigidos a alunos com necessidades educativas especiais, apresentando até algumas citações (ou plágios) de autores consagrados, recorrendo ainda a um conjunto de investigações que suportam as ideias ou afirmações fundamentais. Bem... mas para isto vamos todos à FNAC! Agora está aqui tão perto! E existe por lá uma panóplia de literatura... . Se ainda assim, não encontrarmos exactamente o que queremos, também existe serviço de encomendas! E com esta atitude talvez estejamos a contribuir para a nossa autoformação!
Mas também é possível problematizar e suscitar a reflexão e discussão, ao efectuar a abordagem a temáticas que, de modo algum, têm sido geradoras de consensos.
Assim, talvez fosse pertinente escrever algo sobre inclusão (na verdadeira acepção do conceito) e dos seus limites. Com toda a certeza poderia constituir a chave para um futuro debate. Do tipo “prós e contras”, conhecem?
Ou então, abordar o papel dos apoios educativos nos recentes megas agrupamentos de escolas. Estamos a uniformizar procedimentos para casos e acções semelhantes? Estamos a efectuar a articulação adequada entre os diversos níveis de ensino e, dentro do mesmo nível, com todos os intervenientes no processo educativo? Existem ideias claras sobre o sentido da cooperação entre os docentes de apoio educativo e os diferentes órgãos de gestão da escola? Estão identificadas as dificuldades versus necessidades? São demasiadas interrogações... mas aqui, tal como com algumas crianças com deficiência motora, a estratégia deve passar por “fornecer tempos de espera”, pois sobre o processo de formação e organização dos agrupamentos todos estamos a aprender!
Há ainda a recente proposta de reforma da educação especial e apoio sócio-educativo. Apresenta aspectos positivos? Claro que sim! Apresenta aspectos negativos? Também! Suscita interrogações? Bastantes... ! A este respeito, existem por aí uns sites, com fóruns de discussão, onde é possível saber e contribuir com opiniões. Aqui fica então uma sugestão de consulta e participação. Para nós, mas também para os autores da proposta legislativa!
Já que falamos de legislação, todos sabemos da possibilidade da escola regular estabelecer parcerias com instituições privadas, visando a prestação de apoios a crianças com necessidades educativas especiais, nomeadamente, nas áreas de terapia da fala, ocupacional, fisioterapia e psicologia. A legislação não é recente. A intenção é positiva mas a sua operacionalização gera algumas perplexidades! Então vejamos: parece que o financiamento para estes protocolos tem vindo a diminuir, apresentando reflexos imediatos no número de alunos que podem beneficiar deste tipo de apoios e na diversidade dos mesmos; por questões de ordem burocrática, relacionadas com as discrepâncias temporais entre ano civil, ano lectivo e financiamento, os alunos apenas beneficiam destes apoios a partir de Janeiro ou Fevereiro, terminando em Junho; como existe sempre uma margem de insegurança, em termos de continuação de projectos e, consequentemente, de trabalho, os técnicos mudam constantemente, com todas as consequências que resultam desta situação. Deste modo, a reduzida eficácia destas parcerias centra-se, fundamentalmente, dos seguintes aspectos: falta de continuidade no apoio a alunos que necessitam deste suporte ao longo do ano; início dos apoios, muitos meses após o início do ano lectivo, com todas as mudanças organizativas, em termos de escola, que a situação implica.
No momento em que se fala, com alguma frequência, em escola de qualidade, é preciso afirmar que existem factores extrínsecos a esta que também são determinantes. A este respeito e no aspecto particular dos protocolos de colaboração, acima referidos, algo deve mudar.
Ou será que a mudança vai ser efectuada através da reforma da educação especial? A proposta prevê, no âmbito do apoio sócio-educativo, a contratação de uma multiplicidade de técnicos com funções não docentes! Também aqui a resposta passa por “fornecer tempos de espera”, no caso, ao ministério da educação! Para termos certezas... claro! Ou incertezas...
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