INTRODUÇÃO
O projecto "Transitar - Construir o Futuro a partir da Escola"
iniciou-se na Escola Básica dos 2º e 3º Ciclos da
Alembrança, no Feijó, no ano lectivo 1997/98 com o objectivo de dar respostas educativas a jovens com necessidades educativas especiais
(NEE) decorrentes de deficiência e outros jovens com problemas de aprendizagem, problemas
comportamentais/insucesso repetido incluídos ou não em turmas de currículos alternativos.
No primeiro ano de funcionamento do projecto foi colocado um professor especializado em Educação Especial, mas atendendo à população escolar apoiada (cerca de cinquenta alunos, dos quais dois eram deficientes motores severos e cinco com deficiência mental moderada/severa) e também atendendo às metodologias implementadas (trabalho directo e indirecto com os alunos e acompanhamento nos estágios de sensibilização) houve a necessidade de a equipa técnica ser alargada com outra professora especializada em Educação Especial.
A partir do ano lectivo de 1998/99 a equipa técnica de desenvolvimento do projecto Transitar na escola passou a ser constituída pelos professores Luís Filipe Martins e Maria Inês Cordeiro e a Técnica de Inclusão Social Paula
Migués.
Iremos referir como exemplo o trabalho desenvolvido com um dos alunos com deficiência motora severa.
CARACTERIZAÇÃO DO ALUNO
Quando o projecto se iniciou o jovem tinha treze anos de idade, apresentando uma deficiência motora severa dentro do quadro da paralisia cerebral, caracterizada por tetraparésia espástica com
distonia.
A sua comunicação verbal é inexistente mas em compensação tem uma comunicação não verbal extremamente rica.
O jovem tem uma boa imagem de si próprio. Estabelece facilmente uma boa relação tanto com os colegas como com os adultos.
O agregado familiar era composto pelos progenitores e uma irmã mais nova com a mesma patologia, entretanto falecida.
É uma família de fracos recursos económicos mas muito interessada e empenhada em proporcionar uma boa qualidade de vida aos filhos.
PERFIL EDUCACIONAL
O jovem apresenta capacidades para a aprendizagem, embora seja difícil saber com rigor o nível dos seus conhecimentos, pela sua dificuldade em nos dar um
feedback concreto sobre o que sabe, sente e quer, em virtude da sua incapacidade de comunicação oral e por ter muita dificuldade em produzir trabalhos escritos no computador.
INTERVENÇÃO DOS TÉCNICOS DE TRANSIÇÃO
Face às necessidades sentidas pelo jovem, a intervenção dos técnicos de transição centraram-se a três níveis:
- Autonomia;
- Rentabilização da funcionalidade dos meios informáticos;
- Promoção das competências escolares
O jovem deslocava-se numa cadeira de rodas mecânica que não utilizava de forma autónoma, dependendo sempre de outra pessoa para se deslocar. Esta cadeira também não estava adaptada nem à sua estatura nem às suas problemáticas
posturais.
Embora a família já tivesse iniciado uns meses antes o processo de pedido de atribuição de uma nova cadeira de rodas eléctrica, este não teve seguimento devido à falta de elementos.
O jovem tinha acesso ao computador através de um equipamento especial de compensação, o
Ke:nx e um switch accionado pela mão direita, cuja eficácia de realização era reduzida devido aos movimentos involuntários dos seus membros superiores e incapacidade de
preensão.
Aliado à reduzida eficácia de produção de trabalhos escritos o aluno apresentava grande
fatigabilidade.
Para se poder avaliar correctamente o jovem quanto às suas competências escolares, era importante optimizar, em primeiro lugar, o acesso ao computador. No decorrer deste processo de avaliação conseguimos verificar que ele tinha graves lacunas ao nível da escrita e da leitura.
Os Professores de Transição reabriram novamente o processo de pedido de atribuição de uma cadeira de rodas eléctrica e formalizaram-no junto da
DREL, que culminou favoravelmente em Janeiro de 1998.
Houve a necessidade de solicitar uma avaliação especializada ao CANTIC (Centro de Avaliação de Novas Tecnologias de Comunicação e Avaliação), efectuada em Dezembro de 1997.
No seguimento dessa avaliação foram seleccionados e atribuídos ao aluno um conjunto de equipamentos informáticos de grande importância, tanto para a prossecução dos estudos, como para uma maior integração nas actividades da escola, bem como uma redefinição do seu currículo.
O aluno passou a ter dois computadores funcionais (um em casa e outro na escola), devidamente equipados com
software e hardware específicos, "Discover Switch", permitindo-lhe deste modo utilizar de forma autónoma o computador.
Face às dificuldades apresentadas pelo aluno quer ao nível da leitura, quer ao nível da escrita, foi necessário desenvolver um trabalho mais sistematizado nesta área.
Até ao ano lectivo 2000/01 o jovem continuou integrado numa turma regular, com um currículo adaptado, para que este constituísse uma resposta efectiva às suas necessidades.
PROCESSO DE TRANSIÇÃO
No ano lectivo 2000/01 iniciou-se o processo de transição para a vida adulta, daí a necessidade de existir uma articulação efectiva entre as áreas académica e vocacional.
Procedemos à elaboração do Plano Individual de Transição, onde foram definidos objectivos e estratégias de acção, assentes nas expectativas do jovem, da família e dos técnicos envolvidos no processo.
Através de contactos directos com a Escola Básica Integrada da
Sobreda, foi-lhe proporcionado uma experiência de trabalho na área administrativa, na secretaria deste estabelecimento de ensino, onde desenvolveu um estágio de sensibilização, permitindo-lhe assim a aquisição de competências que lhe possibilitaram fazer uma opção em relação à sua vida futura.
Concluída esta experiência tentámos viabilizar o seu encaminhamento para a formação profissional.
Estabelecemos contacto com o Centro de Emprego de Almada, Formação Profissional da RUMO, Câmara Municipal de Almada, APPACDM e encarregado de educação, no sentido de conjuntamente encontrarmos a resposta mais adequada às expectativas do jovem.
Com grande esforço e empenhamento por parte de todos os parceiros envolvidos, o jovem iniciou o seu Curso de Formação Profissional na biblioteca da Escola Básica 2/3 da
Alembrança, onde desde Janeiro de 2003 tem como função o registo informático das obras literárias existentes.
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